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"Quanto mais depressa estiver tudo vacinado, mais depressa voltamos à nova normalidade pós-vacinal", ouça aqui o comentário do Pneumologista Dr. Filipe Froes (C/SOM)

"Quanto mais depressa estiver tudo vacinado, mais depressa voltamos à nova normalidade pós-vacinal", ouça aqui o comentário do Pneumologista Dr. Filipe Froes (C/SOM) Foto: Jornal Médico
Entrevistas 09 Dez. 2020

A Rádio Campanário esteve em entrevista exclusiva com o Dr. Filipe Froes, pneumologista e Coordenador do Gabinete de Crise da ordem dos Médicos, acerca da situação pandémica vivida em Portugal. Foram discutidos os temas das restrições de Natal e uma possível terceira vaga, o plano de vacinação e a sua eficácia na imunização da população e também a diversidade e segurança da toma da vacina contra o novo coronavírus.

No decorrer destes últimos meses, tem-se verificado uma sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente nos internamentos. Questionado acerca do abrandamento das medidas restritivas para as pessoas na época natalícia e se isso se poderá traduzir numa terceira vaga ao longo de janeiro, o Dr. Filipe Froes admite que isso "é evidentemente um risco".

"Um risco que depende da nossa responsabilidade e da nossa compreensão dos comportamentos que temos que adotar para prevenir que isso aconteça. Este ano, a melhor prenda que nós podemos dar aos nossos familiares é zelar pela sua saúde e pela sua segurança. Isso é uma responsabilidade coletiva para nos protegermos como país e como um coletivo de famílias," frisa o médico pneumologista.

"O essencial é que, este ano, o Natal tem que ser diferente, para que possa ser igual nos anos seguintes."

Em relação à atitude do Governo em desfazar as medidas mais restritivas no Natal, Filipe Froes considera a atitude "sensata", pois "o papel do Estado não é o de repressor, é o de dar o conhecimento necessário para que cada um de nós perceba o essencial. O essencial é que, este ano, o Natal tem que ser diferente, para que possa ser igual nos anos seguintes.

No entanto, o Dr. Filipe alerta para "o facto de não haver restrições diretas, não quer dizer que o vírus não se continue a transmitir. O vírus não tem Natal, o vírus não tem Ano Novo. Assim, ele continua a ter oportunidades para se transmitir e nós é que temos que ter consciência disso, ser responsáveis e atuar em conformidade," explica.

"O vírus não tem Natal, o vírus não tem Ano Novo."

Neste momento existem seis acordos formulados com seis farmacêuticas para vacinas diferentes. A meio de agosto foi formulado um acordo com a farmacêutica Astra Zeneca, depois, em setembro, com a Sanofi and GSK e em outubro com o grupo Johnson & Johnson. Mais tarde foram formulados acordos com a Pfizer, com a Curevac e, a 25 de novembro, foi assinado o mais recente contrato, com a farmacêutica Moderna.

Neste contexto, ocorreu a questão da diversidade de vacinas e se esse fator é benéfico e poderá até ser vantajoso para a população portuguesa. O Dr. Filipe Froes esclarece que "não há alternativa, porque nós precisamos de 22 milhões de vacinas e não temos capacidade para adquirir junto de um único fabricante essas doses." O médico afirma então que "o ideal seria nós termos a primeira e a segunda toma do mesmo tipo de vacina. No entanto, já há países que preveem que isso não seja possível e projetem administrar duas vacinas diferentes. Tipos [de vacina] diferentes, mas que desencadeiam o mesmo tipo de resposta, ou seja, temos que ver isto de uma perspetiva de resposta imunológica."

"De resto as vacinas só têm um problema, que é a efetividade delas ser variável. Só há vacinas eficazes se forem administradas. E isto é um teste à nossa capacidade de nos focarmos no essencial e percebermos que não podemos continuar a viver numa pandemia com consequências tão grandes a nível sanitário, social e económico," frisa o pneumologista.

"E isto é um teste à nossa capacidade de nos focarmos no essencial e percebermos que não podemos continuar a viver numa pandemia com consequências tão grandes a nível sanitário, social e económico."

Na apresentação do plano de vacinação em três fases para Portugal, foi estimado que fossem vacinadas 950 mil pessoas numa primeira fase, sendo 250 mil o grupo dos lares, 400 mil as pessoas com mais de 50 anos e comorbilidades associadas e 300 mil profissionais. Confrontado com a questão da escassez de doses para todas as pessoas do grupo prioritário, o médico pneumologista explica à RC que "o ideal é quando começar a primeira fase, as vacinas garantam a dupla vacinação das pessoas englobadas [nesse grupo prioritário]." No entanto, "é evidente que quanto mais tempo demorarmos a vacinar as pessoas, mais tempo iremos demorar a ter imunidade de grupo," frisa.

"O ideal é começarmos a vacinar de maneira a termos a certeza que ao fim das três semanas, que medeiam a primeira fase [de vacinação], tenhamos cerca de dois milhões de doses. Mesmo que se atrase umas três ou quatro semanas, também não há problema nenhum, porque tudo isto tem que ser feito de uma perspetiva de que não há esquemas nem situações ideias. É possível que hajam pequenos percalços e interrupções no fornecimento, mas todos temos que ter a resiliência necessária para ir adaptando a vacinação às possibilidades," explica o Dr. Filipe Froes.

Questionado por um esclarecimento no caso de haver um intervalo mais longo entre as duas tomas da vacina e a sua eficácia, o Dr. Filipe Froes explica que “o ideal é que seja entre as três e as quatro semanas, mas um intervalo maior não tem significado em termos de geração de imunidade.”

Foi ontem anunciado pela empresa Pfizer que a sua vacina não apresenta riscos de segurança, que impeçam a sua autorização. Acerca desta temática, o médico pneumologista refere que “nós temos que perceber que embora estas vacinas pareçam vacinas novas, elas já utilizam plataformas de desenvolvimento físico e tecnologias que não foram descobertas agora. Foram-se buscar peças de diferentes puzzles para se resolver este problema.”

O médico reforça que "estas são vacinas seguras. O que não quer dizer que algumas pessoas não possam ter efeitos adversos como dor local, febre, mialgias ou dores musculares. No entanto, são efeitos que só vão acontecer em alguns de nós e duram 24 a 48 horas. Nós temos é que pensar nos efeitos adversos de não nos vacinarmos. Em Portugal, em cerca de 1000 pessoas que são infetadas, 15 falecem. E não há ninguém que tenha morrido com a vacina, assim, nós temos que perceber que a vacina é a solução para resolver o problema.

Confrontado com a possibilidade haver pessoas que se recusem à toma da vacina, e esse fator poder ser uma ameaça em certas comunidades, o Dr. Filipe Froes explica que isso “vai condicionar dois problemas”. “Vai condicionar o problema individual de continuarmos a ter pessoas que contraem a doença e que eventualmente poderão necessitar de serviços de saúde, assim mantendo a sobrecarga do SNS.” Ao não se vacinarem, continua, “as pessoas não contribuem para a criação da imunidade de grupo.”

"Quanto mais depressa tivermos todas as pessoas vacinadas, mais rapidamente temos proteção de grupo, mais rapidamente temos menos impacto sanitário e sobrecarga do SNS e voltamos à nova normalidade pós-vacinal."

Questionado acerca do plano de vacinação e da sua eficácia em resposta à pandemia, o Dr. Filipe Froes revela que este ainda não é um plano rígido, e que para a semana poderão ser revistas algumas opções.

“O plano [de vacinação] é o caminho para resolver este problema. O pneumologista declara que a maior necessidade deste plano reside “na definição de critérios de operacionalização, nomeadamente, em relação aos grupos prioritários e em relação a algumas doenças crónicas indicadas. Tem que se operacionalizar como é que as pessoas com essas características, a partir de que critérios é que são englobadas nos grupos de risco. E, felizmente, ainda temos tempo para isso,” conclui o Dr. Filipe Froes aos microfones da Rádio Campanário.

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