Alentejo

“A mitigação dos efeitos da seca não é trabalho que seja feito em secretária”, diz representante da Assoc. Criadores de Raça Bovina Alentejana (c/som)

Publicado em Regional 22 fevereiro, 2018

Os produtores alentejanos de gado, devido à seca registada nos últimos anos, têm enfrentado dificuldades a nível da disponibilidade de água e comida para os animais.

Em declarações à Rádio Campanário, Pedro Espadinha, representante da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Alentejana (ACBRA), diz que 2017 “foi um ano francamente mau”, e que se adivinha que 2018 seja “muito pior que o ano passado”.

Tendo havido problemas com a produção de comida para os animais, afirma que “neste momento não há comida”, nem perspetivas de que “se possa fazer alguma produção relativamente razoável de comida”.

À semelhança do passado ano, “uma coisa é segura, problemas de abeberamento dos animais vamos ter este verão”, declara.

Com “os lagos com níveis baixíssimos e os campos sem erva nem humidade”, considera que “o Governo já devia estar a tomar medidas”, uma vez que se pode vir mesmo a registar-se dificuldade em “arranjar água para as próprias pessoas”. O trabalho que está eventualmente a ser desenvolvido “não chega a nós, nós não sabemos o que está a ser feito”, afirma, defendendo que “a mitigação dos efeitos da seca não é um trabalho que seja feito em secretária”.

A situação torna-se “mais preocupante quando o efeito de seca se nota de forma muito mais agravada no Alentejo, que é por natureza e por defeito político, uma região que é esquecida”.

Pedro Espadinha defende que “o Alentejo é um bocadinho mais do que os 180 mil hectares que o Alqueva vai regar”, e que este “não dá água para o Alentejo todo, ainda que o apregoem”.

Sendo a raça bovina alentejana autóctone, “que quando explorada em linha pura é menos produtiva” requer medidas concretas, nomeadamente agroambientais, e cuja falta de continuidade “teve um efeito muito negativo no que é o global da produção dos nossos criadores”.

A mensuração da associação é feita por nascimentos de animais em linha pura, sendo que “de 2016 para 2017 tivemos um ligeiro incremento”, com cerca de 8 mil animais nascidos.

A raça bovina alentejana, “vai fazendo o seu trabalho, e mais ou menos está equilibrada”, estando, contudo longe de números como 13 mil nascimentos, registados no passado.

“O futuro próximo não se avizinha muito risonho, mas não será, em termos da própria raça, uma situação muito preocupante”, conclui.

 

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