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Alentejo

Alentejo: Falta de recursos compromete combate ao suicídio na região!

Regional 28 Set. 2021

A taxa de suicídio no Alentejo é o dobro da média nacional. Os últimos dados oficiais publicados em 2017 pelo Instituto Nacional de Estatística mostram que, na região alentejana, há 54,2 mortes por suicídio por 100 mil habitantes, contra 22,4 no restante território nacional.

O concelho de Odemira tem uma das mais altas taxas de suicídio do mundo.

Sofia Tavares, psicóloga e membro da Associação Sobre Viver, instituição sedeada em Évora que nasceu este ano para ajudar e apoiar o sobrevivente durante a sua jornada de luto, combatendo o estigma em volta do suicídio, avança números dizendo que "O número de mortes chega a ultrapassar as 50 por 100 mil habitantes".

No Alentejo, problemas como a depressão, a ansiedade e a demência ganham maior expressão. Ana Matos Pires, diretora do serviço de Psiquiatria do Baixo Alentejo, tal como refere a notícia avançada pelo Jornal de Notícias, o estado da saúde mental nesta região deve-se muitas vezes a fatores como as dificuldades económicas, o desemprego, o isolamento, a iliteracia e o envelhecimento, associados à falta de redes sociais de apoio, reclamam um olhar atento no entanto, a mesma responsável sublinha “ a crónica falta de recursos humanos, sobretudo nas áreas da psicologia e da psiquiatria, associada às dificuldades de acesso aos cuidados de saúde e à falta de "estruturas física decentes "não permitem responder eficazmente ao problema.”

Teresa Reis, psiquiatra e presidente da MetAlentejo, associação para o bem-estar psicossocial da comunidade, refere: "É preciso dinheiro” acrescentando “ é preciso que, o dinheiro que é suposto vir para a saúde mental não seja, à última hora, desviado para outro lado. Depois, é ainda necessário que as verbas sejam bem distribuídas. As IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] que trabalham nesta área não podem ficar fora dessa distribuição".

Na opinião desta Psiquiatra, a pandemia de covid 19 pode ter agravado a saúde mental considerando a mesma que "é expectável que, em regiões com níveis socioeconómicos baixos, como o Alentejo, o impacto tenha sido maior. Já notamos, nos hospitais e em instituições como a MetAlentejo, um número de pedidos de ajuda para os quais não temos capacidade de resposta."

Por sua vez, Ana Matos Pires, diretora do serviço de Psiquiatria do Baixo Alentejo, considera necessária e urgente “a verdadeira integração de cuidados" reforçando “A saúde mental não pode estar fechada dentro de um hospital, tem que fazer-se com a comunidade e com os cuidados de saúde primários. Se não for assim, daqui a 10 anos estaremos rigorosamente na mesma."

Fonte: Jornal de Notícias