Ammaia: a cidade romana perdida do Alentejo

Ammaia: a cidade romana perdida do Alentejo https://www.vortexmag.net/
Regional 07 Set. 2021

Até há bem pouco tempo ninguém sabia do seu paradeiro. Mas novas descobertas permitem saber como era a cidade romana de Ammaia, no Alentejo.

É muito provável que nunca tenha ouvido falar de Ammaia, no Alentejo, e no entanto, esta é uma das ruínas romanas mais importantes do nosso país, já que nelas se encontram muito bem preservados os vestígios de uma cidade romana.

A sua localização próxima da vila de Marvão tornam Ammaia um local de visita obrigatória na região, para se apreciar o passado e a típica paisagem alentejana que envolve o local e que dá ainda mais grandeza às suas ruínas. Afinal, Ammaia, em pleno coração do Parque Natural da Serra de S. Mamede, tem vários atrativos para lhe oferecer na sua visita.

Entre a população da zona, os vestígios de ocupação romana são conhecidos desde sempre, mas só em inícios do século passado se começou a compreender a importância e relevância daquilo que estava enterrado no Vale da Aramanha.

Era Ammaia, uma cidade romana muito bem preservada, e que foi nessa altura redescoberta. As suas ruínas foram classificadas como Monumento Nacional em 1949, estas estiveram abandonadas até finais de 1994, altura em que a Fundação Cidade de Ammaia se desenvolveu, com o esforço de estudar e preservar o que resta deste local arqueológico único.

Ammaia vem sendo, desde então, alvo de inúmeros trabalhos de arqueologia, levados a cabo por cientistas nacionais e internacionais. As escavações arqueológicas começaram em 1995, tendo-se colocado a descoberto cerca de 3.000m2, embora se pense que a área original de Ammaia cobrisse cerca de vinte hectares. Graças a estes trabalhos, conhece-se hoje o desenho e arquitetura da área, que permitiu radiografar toda a área e reconstruir um pouco a história desta cidade.

As escavações arqueológicas que foram efetuadas até ao momento foram realizadas em locais onde as ruínas indicavam a presença de construções de período romano (ou, possivelmente, de períodos mais tardios).

Estas estruturas são principalmente partes da muralha desta antiga cidade romana, com as suas torres e uma porta na zona sul, que exibe vestígios de áreas residenciais.

Outra zona muito explorada é uma praça monumental que se encontrava pavimentada, e uma importante via, chamada Cardo Maximus, que seguia diretamente para a zona central da cidade, o Fórum.

Existem também ruínas de uma zona habitacional na área onde se encontra a antiga habitação da Quinta do Deão, que alberga agora um museu onde poderá ver algumas das relíquias encontradas até hoje em Ammaia.

Este museu, conhecido como Museu Monográfico da Cidade de Ammaia, procura mostrar o quotidiano de quem aqui viveu, através dos objetos que aqui foram encontrados e inventariados. Este museu alberga mesmo uma das mais importantes coleções de vidros romanos da Península Ibérica.

Para além destes locais, pode-se ver também vestígios de umas termas públicas e do fórum, este último com o podium de um templo ainda parcialmente preservado, podendo-se ver também paredes de um pórtico que circundava o templo na época de seu esplendor. 

Na sua época, Ammaia, que se encontrava na província romana da Lusitânia, possuía um território administrativo do qual fazia parte grande parte do atual distrito de Portalegre e que se estendia também para território que hoje pertence a Espanha.

Foi elevada a Civitas por volta do ano 44/45 d.C., e obteve o estatuto de Mvnicipivm ainda durante o século I d. C. No entanto, apenas temos dados sobre esta elevação no reinado de Lúcio Vero, em 166 d.C.

Durante o século IV, Ammaia foi sistematicamente reconstruída e os seus espaços restaurados. No entanto, entre os séculos V e IX, Ammaia foi caindo em declínio, tendo ficado despovoada.

Quando esta zona da Península Ibérica estava já sob controlo árabe, a cidade foi completamente abandonada a favor da fortificada Marvão. As suas pedras, entretanto, serviram ao longo de séculos para construir outros lugares e monumentos.

Curiosamente, pensa-se que parte da razão do declínio de Ammaia, no período romano, se tenha devido aos efeitos de um cataclismo, que terá soterrado a parte baixa da malha urbana, o que poderia explicar o seu abandono gradual na época.

No entanto, foi precisamente este cataclismo que permitiu que esta cidade ficasse conservada no tempo, já que não se desenvolveram outras urbanizações por cima das ruínas ao longo da história.

Assim, a cidade de Ammaia é sem dúvida o mais importante vestígio da época romana do norte alentejano, e grande parte da área ocupada pelas ruínas localiza-se nos terrenos da Fundação Cidade de Ammaia, o que em muito contribui para a preservação e conservação deste Monumento Nacional.

A Fundação gere também os trabalhos arqueológicos, sendo uma grande impulsionadora das descobertas até agora feitas em Ammaia, que nos mostram a história do poder romano e a sua decadência na Península Ibérica. 

Ammaia foi escolhida como “laboratório aberto”, um projeto financiado pela Radio-Past, e é hoje em dia usada como teste-sítio para a integração e inovação em abordagens não-destrutivas no estudo arqueológico de locais complexos, que envolve o uso de novas tecnologias na arqueologia, o que pode levar a novas descobertas no local.

Assim, como vê, Ammaia merece definitivamente a sua visita, pois é um local onde ainda se vive a história e que nos ensina muito sobre o passado do nosso país, de uma forma única e muito especial.

 

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