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Campeonato de Portugal autenticou jogos de futebol à escala nacional há 100 anos

Regional Escrito por  16 Jun. 2022

O Campeonato de Portugal debutou há 100 anos, com o FC Porto a bater o Sporting, por 3-1, após prolongamento, na finalíssima da primeira edição da prova, organizada pela então designada União Portuguesa de Futebol (UPF).

Recém-consagrados campeões regionais de Porto e Lisboa, respetivamente, ‘dragões’ e ‘leões’ defrontaram-se em representação das duas principais urbes do país em 18 de junho de 1922, no Campo do Bessa, no Porto, sob arbitragem de José Neves Eugénio.

A decisão da primeira competição futebolística disputada à escala nacional empolgou o país, cuja aura tinha sido amplificada na véspera, quando Gago Coutinho e Sacadura Cabral concluíram com êxito a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada ao fim de 79 dias e 8.484 quilómetros, entre Lisboa e Rio de Janeiro, então capital brasileira.

Com ingressos à venda a dois escudos, os adeptos acorreram em massa ao Campo do Bessa, local definido por sorteio pela UFP, onde Balbino Silva adiantou o FC Porto no marcador, aos 51 minutos, e Artur Augusto desperdiçou o 2-0 de penálti, antes de Emílio Ramos repor o empate para o Sporting, aos 70, forçando meia hora de prolongamento.

João Nunes, aos 100 minutos, e o ‘capitão’ João Brito, aos 102, ‘selariam’ o título ‘azul e branco’ no tempo extra, numa eliminatória em que teve de ser desempatada através de uma terceira partida, face às vitórias caseiras dos portuenses (2-1), em 04 de junho, no Campo da Constituição, e dos lisboetas (2-0), uma semana depois, no Campo Grande.

O francês Adolphe Cassaigne, segundo treinador na história do FC Porto (1907-1922), privilegiou um ‘onze’ com o ‘guardião’ Lino Moreira, Artur Augusto, Floriano Pereira, João Brito, Alexandre Cal, Balbino Silva, José Tavares Bastos, João Nunes, José Mota, Velez Carneiro e Júlio Cardoso, numa altura em que os jogos ainda não previam substituições.

Maior rotatividade implementou o alemão Augusto Sabbo, terceiro técnico de sempre do Sporting (1922-1924), que conferiu a titularidade na finalíssima ao guarda-redes Amadeu Cruz, Jorge Vieira, Joaquim Ferreira, José Leandro, Henrique Portela, Filipe dos Santos, Francisco Stromp, Alfredo Torres Pereira, Jaime Gonçalves, João Maia e Emílio Ramos.

A conceção do Campeonato de Portugal esteve na base da fundação da UPF, em 31 de março de 1914, mas seria adiada por oito anos, atendendo ao conturbado período da I Guerra Mundial, além do acomodamento luso aos padrões vigentes no futebol europeu.

As partidas entre clubes vizinhos iam acontecendo em catadupa e ajudaram a multiplicar campeonatos regionais pelo território nacional, com destaque para Lisboa (iniciado em 1906/07) e Porto (desde 1913/14), até confluírem numa competição de maior dimensão.

Praticamente seis meses depois da estreia da seleção portuguesa, com uma expectável derrota em Espanha (1-3), em dezembro de 1921, a UPF estreou uma prova estruturada em formato de eliminatórias, que passaria a apurar o vencedor da competição em cada época.

A primeira edição limitou-se a FC Porto e Sporting, reflexo da evolução diferenciada da modalidade nos dois principais centros urbanos, que já iam recorrendo às suas seleções regionais para se defrontarem anualmente, em contraste com outras latitudes do país.

Olhanense e Marítimo, campeões do Algarve e da Madeira, alegaram razões financeiras para ficarem de fora do Campeonato de Portugal em 1921/22, mas as suas associações entrariam nas edições seguintes, ladeadas também por Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real ou Viseu.

FC Porto e Sporting (ambos com quatro troféus), Belenenses e Benfica (cada qual com três), Carcavelinhos, Marítimo e Olhanense (todos com um) triunfaram anualmente até à conclusão da prova, substituída desde 1938/39 pela contemporânea Taça de Portugal.

Nos seus derradeiros quatro anos, entre 1934/35 e 1937/38, o Campeonato de Portugal passou a coexistir com o Campeonato da Liga da I Divisão, em que os clubes jogavam entre si a duas voltas e por pontos, seguindo os padrões de outros países de referência.

Essa intenção da UPF, que se filiou na FIFA em 1923 e passou a chamar-se Federação Portuguesa de Futebol (FPF) desde 1926, fora acelerada com a goleada da Espanha à equipa das ‘quinas’ (0-9), em março de 1934, na qualificação para o Mundial desse ano.

Replicado o modelo do país vizinho, na perspetiva de que os jogadores tivessem maior preparação para estes duelos internacionais, o campeonato experimental depressa se assumiu em definitivo na charneira das competições futebolísticas nacionais de clubes.

Se as primeiras quatro edições do Campeonato da Liga são integradas no palmarés da I Liga, o Campeonato de Portugal nunca foi reconhecido pela FPF, que até criou em 2017 uma comissão técnica independente para estudar a categorização das provas internas.

A polémica persiste há décadas e foi resgatada pelo Sporting, que, já na presidência de Bruno de Carvalho, reclamava ter 22 campeonatos nacionais em vez de 18, aguardando pela divulgação e posterior deliberação das conclusões da investigação em assembleia-geral da FPF, após ter sido alvo de uma petição e debatida em plenário na Assembleia da República.

C/Lusa

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