Vila Vicosa

Coleções de Vila Viçosa revelam “ligação planetária da Casa de Bragança e sua importância política e económica” (c/som)

Coleções de Vila Viçosa revelam “ligação planetária da Casa de Bragança e sua importância política e económica” (c/som) DR
Regional 01 Dez. 2021

Ainda a decorrer, a comissão nacional do Conselho Internacional de Museus (ICOM-Portugal) lançou um inquérito sobre a presença de património de países não europeus nos museus portugueses. Parte dos resultados preliminares, revelados no mês passado, apontam a China como o país mais representado. Algo que não foi uma surpresa para a presidente do ICOM-Portugal, Maria de Jesus Monge, também ela diretora do Paço Ducal de Vila Viçosa.

Em entrevista à Rádio Campanário, a diretora do museu explicou como essas obras patentes nos dois museus calipolenses da Fundação da Casa de Bragança se entrelaçam na importância e poder do ducado aqui existente antes de 1640, bem como nas relações diplomáticas da família real.

Maria de Jesus Monge começou por explicar que “o inquérito ainda não terminou”, pelo que “as conclusões que foram apresentadas no início do mês de novembro, no encontro que o ICOM-Portugal realizou na Figueira da Foz são ainda conclusões parcelares”.

Contudo, estas “já nos permitem ter uma ideia muito aproximada daquilo que é a realidade das coleções oriundas de países não europeus, de África, Ásia, América, nas coleções dos museus nacionais e devo confessar que não é assim diversa daquilo que nós estaríamos à espera”, diz Maria de Jesus Monge.

Isto “porque quem trabalha em museus sabe que em quase todas as instituições museológicas existem peças provenientes da China e da Índia. É a origem extra-continente europeu mais comum e isso não é uma surpresa pra quem trabalha em museus”.

Algo que também acontece “aqui no Paço Ducal”, em Vila Viçosa. Sendo esta uma “coleção da Casa de Bragança, tem naturalmente objetos oriundos de todas as partes do mundo. Já no século XVI, quando é feito o inventário dos bens do Duque D. Teodósio, justamente é possível registar peças oriundas de todos os continentes, de todas as latitudes”, refere a diretora do museu.

“Essa ligação planetária que a Casa de Bragança sempre teve é natural, tendo em conta a importância política e a capacidade económica desta casa”, sublinha.

Porém, “em 1640 a família foi para Lisboa, os Duques de Bragança são coroados Reis de Portugal e, portanto, todo o recheio daqui do Paço é transferido para Lisboa, contudo, sabemos que nem só no Paço há peças de origem não europeia”, salienta. Ao mesmo tempo que, “com alguma frequência, as igrejas têm, inclusive nas suas alfaias religiosas, objetos e materiais oriundos também de outros continentes”, explica a diretora do Paço Ducal.

Séculos depois, “quando a partir do século XIX, a família volta a visitar com frequência Vila Viçosa, volta a haver uma presença mais significativa desse tipo de objetos que, naturalmente, aumenta muito com a criação do museu, na sequência da Proclamação da Républica e justamente com o cumprimento do testamento do Rei D. Manuel II, que aqui manda abrir ao público as suas coleções”.

Sobre a diversidade do tipo de coleções e obras presentes no interior do Paço, possíveis de contemplar e admirar ao longo de uma visita guiada, que nos transporta para vários continentes em menos de uma hora, Maria de Jesus Monge diz que este museu é “exemplificativo daquilo que é o gosto português e daquilo que foi o contacto dos portugueses com outros povos ao longo dos séculos”.

Ao mesmo tempo que “a China é a origem mais frequente”, seja com “as porcelanas, mas também temos bronzes, esmaltes e outro tipo de peças com essa origem”. Por outro lado, também “há peças indianas, indo-portuguesas e não só”, da mesma forma que “há depois também uma série de peças das mais variadas origens, fruto de viagens, de ofertas diplomáticas, de toda uma miríada de motivos”.

Motivo pelo qual também vale a pena visitar o Museu da Caça e Arqueológico, também da Fundação da Casa de Bragança, em Vila Viçosa, onde “temos uma coleção características diversas na origem geográfica”, mas “não tanto na forma como se incorporaram na coleção”. Isto é, “também foram uma oferta, no contexto da viagem que o Príncipe D. Luís fez a África, designadamente a Cabo Verde, Angola, Moçambique e África do Sul”.

Pelo que, entre as obras e objetos aí patentes “há uma quantidade muito significativa de artefactos, na sua maioria, feitos expressamente para serem oferecidos, portanto, não terão tido uma função utilitária”, mas sim “uma função de oferenda diplomática”, oriundos “todos de África, praticamente”.

Todos estes elementos, termina Maria de Jesus Monge, ajudam a “ilustrar a variedade daquilo que pode ser encontrado nas nossas coleções”, em Vila Viçosa.

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