Elvas

“Deixaram-nos a passar fome em teatro de operações” Bombeiros de Elvas em rota de colisão com Lista vencedora das eleições da AHBVE (c/som)

Regional 30 Jun. 2020

Ocorreu esta segunda-feira, as eleições para os órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas (AHBVE). A votos estavam duas listas e a lista A, encabeçada por Amadeu Martins, venceu com 110 votos, contra os 93 da lista B, encabeçada por Paulo Andrade.

A vitória dessa lista não agradou ao Corpo Efetivo dos Bombeiros, que entregaram as fardas, podendo estar em causa a prestação de socorro no concelho de Elvas.

Em declarações à Rádio Campanário, Tiago Bugio, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Elvas, esclarece que “os Bombeiros já tinham demonstrado aos elementos da lista vencedora que não estavam do lado deles, pela gestão que fizeram quando estiveram na direção da AHBVE”.

“Logo após o ato eleitoral, o Corpo de Bombeiros informou que não estava com eles e não quiseram tomar posse ontem. O presidente da Mesa de Voto quis dar posse aos novos órgãos, mas eles não, dado o que estava a acontecer”, conta o Comandante.

Tiago Bugio conta que esta incompatibilidade com a lista vencedora é consequência de “uma série de atos que tiveram para com os Bombeiros, desde o não fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual, a maltratarem e a serem menos educados para com o Corpo”, admitindo que chegaram a passar fome em teatro de operações complexas: “recusaram-se a dar alimentação aos operacionais quando ainda tínhamos largas horas de combate a incêndios e isso aconteceu sucessivamente. Estes senhores recusavam-se a dar alimentação, porque diziam que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) tinha uma dívida de 58 euros à Associação Humanitária, quando a ANEPC veio a esclarecer que já tinham saldado essa dívida”.

O Comandante dos Bombeiros de Elvas salienta que os seus operacionais “têm sido muito maltratados e enxovalhados” pelos elementos da lista vencedora e tudo culminou “com o relatório de uma auditoria, onde foi evidente a falta de capitais da AHBVE. Os elementos da direção da AHBVE também não aceitam que os Bombeiros realizem eventos para angariação de fundos para a requisição de material o que faz com que esse material não seja pago”. Tiago Bugio relata ainda que “quando os elementos da direção são confrontados remetem-se ao silêncio”, garantindo que “os Bombeiros não estão do lado deles e, caso eles tomem posse, recusam-se, a ficar nos Bombeiros Voluntários de Elvas”.

Questionado se os sócios não estavam a par destas situações, o Comandante não se pronuncia, mas crê que “a lista B tentou fazer uma campanha limpa e deixando que os sócios decidissem pela vontade dos operacionais, pois a direção sem operacionais não consegue trabalhar. Nos últimos meses, em que estava uma Comissão Administrativa, tem-se visto trabalho e união. Mas esses senhores que supostamente quereriam paz, estão a destabilizar e os próprios operacionais já disseram que não os querem cá”.

Tiago Bugio conta ainda que “o candidato a tesoureiro [da Lista A] chegou a dizer para alguns bombeiros que «quando não houver bombeiros, vamos buscar de barro» e isto é desconsiderar quem dá tudo por esta instituição”.

O operacional menciona também outras situações que colocaram a corporação em rota de colisão com os elementos da Lista A, quando estiveram na direção da AHBVE, desde “o pessoal a ter que andar a trocar de botas, porque a direção não fornecia botas para combater o incêndio” e também de “pessoal para fazer formação que não tinha ainda farda, porque a direção dizia que não existia disponibilidade financeira. Todos gostam de dignificar a farda de Bombeiro, mas esses elementos não estão disponíveis para nos ajudar”.

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