Alentejo

Évora considera “o encerramento temporário” do Cromeleque dos Almendres e desenvolve soluções para sítios arqueológicos degradados, diz Diretora da Cultura do Alentejo (c/som)

Regional 19 Mar. 2019

A Direção Regional da Cultura do Alentejo tem vindo a desenvolver um trabalho de gestão e conservação do património arqueológico da região, em parceria com os municípios, com a EDIA, a Direção Regional de Agricultura e as Comunidades Intermunicipais.

Ana Paula Amendoeira, diretora Regional da Cultura do Alentejo, em declarações à RC, afirma que destas parcerias têm resultado “alguns progressos significativos” no âmbito da arqueologia.

A dirigente aponta “grande dificuldade” sentida nos últimos tempos, relacionada com “a destruição de património arqueológico pela via da agricultura intensiva”.

Esta situação tem requerido “um trabalho de emergência continuada”, pois “chegou quase de forma inesperada e não havia enquadramento legal para a poder combater”.

A DRC Alentejo gere 47 sítios patrimoniais, na sua maioria em parceira com os municípios, sendo que em resultado do processo de descentralização, cerca de 20 “vão passar para gestão das câmaras”.

A diretora regional considera que a proximidade dos municípios com o património permitir-lhes-á “gerir de uma forma mais atempada”, sendo que o envolvimento destes tem sido de extrema importância para permitir intervenções, devido aos “poucos meios financeiros” da DRC.

“Temos que continuar a trabalhar com os municípios […] para aquilo que é a salvaguarda, a conservação e a valorização do património arqueológico”
Ana Paula Amendoeira

Atualmente, “temos situações muito difíceis que estamos a tentar resolver com os municípios e com os proprietários”. No concelho de Évora destaca o Cromeleque dos Almendres e a Anta grande do Zambujeiro, “monumentos megalíticos muito relevantes e que estão num estado de conservação ou de gestão muito preocupante”. Encontram-se ambos em propriedade privada, “mas têm um valor público muito grande, são monumentos nacionais”, afirma.

Estes sítios arqueológicos “foram objeto de resoluções parlamentares e de propostas dos deputados da região”.

Tentando resolver estas situações, encontra-se em desenvolvimento uma “aliança tripartida para a Anta Grande do Zambujeiro” entre a Direção Regional, o proprietário e a Câmara de Évora”.

No caso do Cromeleque dos Almendres, “a Câmara está a ultimar um contrato comodato para se puder fazer uma gestão do monumento”. Atualmente não existe controlo no acesso ao monumento “e há atos de vandalismo”. Caso se verifique necessário, “uma das medidas que se podia tomar seria o encerramento temporário”.

Ana Paula Amendoeira afirma que “com esta questão da agricultura intensiva, muitas antas estão a ser afetadas”, facto que requer “um trabalho paralelo de sensibilização e de formação” dos agricultores, técnicos do município e das comunidades intermunicipais.

“Têm-se conseguido coisas positivas para minimizar os impactos negativos” da agricultura intensiva
Ana Paula Amendoeira

Questionada sobre a necessidade de intervenção do Governo, diz que em 2018 já foi conseguida uma alteração do regulamento dos projetos agrícolas, que faz com que “neste momento os projetos financiados pelos fundos europeus” estejam sujeitos “a prévia aprovação da cultura”.

Esta norma “não resolve todos os problemas, mas já é uma medida significativa que nos ajuda a controlar uma parte”, defende.

A dirigente declara ainda que “muitos dos agricultores não fazem até por mal, é por desconhecimento”, sendo por isso importante que haja um trabalho de sensibilização.

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