Estremoz

Livro sobre Figurado de Estremoz dá novas cores à “tela em branco” que é a sua história, diz autor (c/som)

Publicado em Regional 03 julho, 2018

Os Bonecos de Estremoz são tema para o livro “Figurado de Estremoz – Produção Património Imaterial da Humanidade”, da autoria de Hugo Guerreiro, que será lançado em setembro.

Segundo o autor, a obra apresenta a “história do figurado de Estremoz” assim como “uma série de descobertas novas” que ajudam a compreender a sua classificação como Património Imaterial da Humanidade pela Unesco.

A obra dá destaque aos artesãos do presente e do passado, e apresenta ainda o percurso da candidatura a património, surgindo como uma peça do “Plano de Salvaguarda e Valorização” desta arte “que estava na alma do povo”.

Não tendo despertado o interesse dos eruditos no passado, existe pouca informação sobre a mesma, surgindo o livro como uma forma de demonstrar que o Figurado de Estremoz, que era visto “como um «handycraftzinho» para turista ver, tem na realidade uma história secular, e que “faz parte da identidade e da memória” deste povo.

Existindo pouca documentação sobre o tema, afirma que o livro “vai orgulhar os estremocenses”.

Passaram 28 anos desde a última publicação sobre o Boneco de Estremoz, por Joaquim Vermelho, antigo diretor do Museu Municipal de Estremoz, cargo que Hugo Guerreiro agora ocupa.

A obra que agora apresenta tem 150 páginas “profusamente” ilustradas pelo estremocense Armando Alves e que contém “algum figurado que as pessoas não conhecem”, um total de 90.

Afirma que “neste momento já as podia (algumas partes) reescrever porque já surgiram alguns dados”, que integrarão “certamente” futuras obras “com novos apontamentos e com mais dados”.

O Figurado de Estremoz “era uma tela em branco, muito pouco se conhecia” em termos da história, da técnica, dos materiais, aponta. “Essa tela tem vindo a ser pintada e já lhe vamos conhecendo umas cores mais garridas”. “Daqui a 10, 20 anos, essa tela ainda não estará concluída”.

Uma curiosidade apresentada na obra, avança, é o facto de as figuras religiosas brasileiras Paulistinhas, (São Paulo), terem sido inspiradas no Figurado de Estremoz.

O facto “demonstra mais uma vez que é um património da humanidade, não é só nosso”.

O Figurado de Estremoz surgiu “da necessidade espiritual do povo” que não tinha posses para adquirir para os seus lares figuras religiosas. “Os mais profanos” surgiram no século XIX.

“O boneco de Estremoz recebeu muitas influências de Vila Viçosa”, aponta, onde existem várias coleções muito antigas. Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, surge como “a peça mais representada no século XVIII”. “É de facto um património aqui de toda a nossa zona”, conclui.

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