Vila Vicosa

“Se não me licenciarem o espaço, em duas semanas derrubo tudo, quem perde é o concelho, o Alentejo e o País”, diz empresário (c/som)

Regional 28 Jun. 2019

Decorreu esta quinta feira, 27 de junho, a apresentação do novo empreendimento turístico na Pedreira D’El Rey em Vila Viçosa.

Do programa constou um concerto com a fadista Ana Moura e uma festa privada, organizada pelo empresário e proprietário António Manuel Alves.

No entanto este novo empreendimento tem ficado marcado por uma série de contrariedades em relação ao licenciamento, tendo obrigado António Manuel a mudar o lugar da apresentação para uma pedreira adjacente.

Mesmo assim e lembrando que falamos de um espaço onde já se realizaram inúmeros concertos, o licenciamento não foi concedido ao empresário, tendo o mesmo avançado com as festividades pese embora a falta de licenças.

A Rádio Campanário marcou presença a convite pessoal de António Manuel e recolheu as suas declarações no final do evento.

António Manuel Alves começa por dar conta aos nossos microfones que “as autoridades deviam ter algum reconhecimento por quem quer fazer alguma coisa por esta região”, acrescentando que “querem combater a desertificação, mas na prática impede-se que se desenvolva o que quer que seja”.

Na opinião do empresário “as autoridades têm que repensar estas situações”, lembrando que o espaço em causa “já foi utilizado mais de uma dúzia de vezes e foi sempre autorizado, hoje o patrão não podia fazer a festa”.

A Campanário questionou António Manuel sobre o seu estado de espírito, ao que o empresário nos refere que “sinto-me ferido, avancei com a festa, mas tive de cancelar o fogo de artificio, pois não me senti confortável para o realizar”.

“Não podia deixar de dar comida e um pouco de espetáculo a toda esta gente que aqui veio”
António Manuel Alves

António Manuel está consciente que irá sofrer sanções por ter avançado com o evento sem as referidas licenças, afirmando aos nossos microfones “se tiver que ser multado assumo a minha responsabilidade”, no entanto não deixa de notar que “estou dentro daquilo que é meu, isto é uma festa privada, penso que dentro daquilo que é meu posso fazer qualquer coisa”.

“Dentro daquilo que é meu posso fazer qualquer coisa para os meus funcionários e convidados”
António Manuel Alves

A ausência do município de Vila Viçosa foi notada, levando António Manuel a referir que “como empresário só tenho pena de uma coisa, o município de Vila Viçosa não compareceu”, pese embora o autarca calipolense estar em período de férias, nenhum dos eleitos marcou presença “só porque a festa não foi autorizada”.

“Tenho pena que ninguém do município tenha comparecido”
António Manuel Alves

Para o empresário em tempos que se fala em atrair investimento para o concelho “o município devia estar aqui, devia apoiar-me e dar um murro na mesa dizendo ‘queremos este projeto no Alentejo’”.

António Manuel mostra-se disponível para que “o projeto passe por todas as medidas de licenciamento e segurança extra”, voltando a frisar a sua tristeza com “a ausência de todos os autarcas do concelho”.

“Vou embora a saber o que é o município e que as pessoas pela frente são uma coisa e por trás são outra”
António Manuel Alves

Questionado pela RC sobre o que vai fazer em relação ao novo empreendimento, António Manuel refere que “vou tentar licenciar e legalizar”, mas “se sair negativo eu destruo tudo e fica só a contenção de muros, não deixo ali nada de pé”.

“O município perde tudo, o Alentejo perde, o turismo perde e Portugal perde”
António Manuel Alves

Mesmo depois de todo o investimento realizado, António Manuel afirma que caso o empreendimento não seja licenciado “demulo tudo sem pena”, acrescentando que “apenas queria mostrar o mármore e que as pedreiras não são só perigo, mas senão me deixarem eu deito tudo abaixo”.

“Em duas semanas com a máquina de fio diamantado e as escavadoras deixo tudo no osso, fica só a contenção de taludes”
António Manuel Alves

Caso não seja possível avançar com o projeto do empreendimento turístico, António Manuel refere que “não vou pedir nada a ninguém, não estou contra ninguém”, adiantando que não pensa pedir indeminizações pelo investimento feito.

António Manuel Alves refere aos nossos microfones que “sou um homem do mármore e das pedreiras, nada do que fiz (empreendimento, hotel) é para mim, nem a pedreira que labora desde 1967 é minha, é de todos aqueles que usufruem, eu simplesmente sou um encarregado, um patrão”.

“Nunca fiz uma massagem no hotel, nunca usei a piscina, as coisas são minhas mas não são para mim”
António Manuel Alves

Relativamente ao investimento realizado, António Manuel refere que “já investi cerca de 30 milhões de euros”, acrescentando que o importante “são os 100 empregos que asseguro no concelho”.

Na opinião do empresário “o empreendimento turístico vai atrair um turista endinheirado”, beneficiando todo “o comércio de Vila Viçosa e dos concelhos limítrofes”.

Quando questionado pela RC sobre uma eventual expansão da rede de hotéis, António Manuel refere que “não está nos meus planos”, adiantando que o seu objetivo passa por legalizar o novo empreendimento e “retirar este espaço da zona de pedreiras”, pois “faz 6 ou 7 anos que se realizam aqui espetáculos e tudo é licenciado, vem o dono e nada se licencia, estamos num país ao contrário”.

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