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Solos do Alentejo em risco, os adubos orgânicos são a salvação

Publicado em Regional 19 junho, 2019

As campanhas de trigo, no passado, consumiram o húmus dos solos do Alentejo, mais recentemente as culturas intensivas vieram acentuar a erosão. Caso não se volte aos fertilizantes orgânicos, os solos do Alentejo perdem os nutrientes que lhes restam. 

 

Os dados avançados pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) desde 2009 mostra que o teor de matéria orgânica estão abaixo do 1%, quando o valor normal seria entre 3% e 4%. Estes valores estão relacionados com os agricultores alentejanos darem pouca relevância à deposição de matéria orgânica no solo, usando e abusando dos adubos minerais. 

 

O aumento das culturas de regadio, provoca também o aumento da mineralização do solo. 

 

Este problema obriga a EDIA a avançar com um projeto em larga escala, consistindo em produzir 250 mil toneladas de fertilizantes naturais, devolvendo assim a centenas de milhares de hectares regados pelas águas de Alqueva, a matéria orgânica que lhe foi retirada pela produção agrícola. 

 

As áreas irrigadas por Alqueva, geram perto de 500 mil toneladas de subprodutos orgânicos (palhas, restos de podas, folhas, bagaço, etc), fazer a compostagem destes restos é a aposta. 

 

A primeira unidade de recirculação de subprodutos agrícolas encontra-se na Herdade da Abóbada, estão programadas mais 12, tendo cada uma delas uma área de abrangência de cerca de 10 km. Os adubos orgânicos são fornecidos aos agricultores em troca de subprodutos agrícolas. 

 

Segundo os dados avançados, por cada tonelada de subprodutos valorizados, serão poupados 100 kg de adubos minerais, 100 metros cúbicos de gás natural, 28.670 litros de água e 750 quilos de dióxido de carbono. Da mesma forma as produções de azeitona e milho aumentam.