Vila Vicosa

Em reunião com Comissões, Manuel Condenado diz que Candidatura de Vila Viçosa à UNESCO “não é da Câmara, tem que ser de todos e só assim é que conseguiremos obter êxito” (c/som e fotos)

Publicado em Reportagens 07 janeiro, 2019

Após a inscrição de Vila Viçosa na Lista Indicativa dos bens a classificar como Património Mundial, em maio de 2016, o Dossier de Candidatura tem estado a ser preparado tendo decorrido até ao passado dia 31 de dezembro de 2018, o período de discussão pública para apreciação dos documentos que compõem o Dossiê de Candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial. No passado sábado, dia 5 de janeiro, decorreu uma reunião de trabalho, na Pousada D. João IV, com a presença dos membros que compõem as Comissões Científica, Executiva e Parceiros Institucionais deste Processo.

Em declarações à Campanário, o Presidente do Município, Manuel Condenado, explicou que “decorreram 16 anos desde que foi realizada a primeira reunião da então Comissão de Candidatura, precisamente aqui na Pousada D. João IV, em Vila Viçosa”, mas desde então “foi feito muito trabalho, apresentámos três versões de pedidos de inclusão na lista indicativa e o último foi de facto aceite, e em 2015 vimos a nossa vila incluída na Lista Indicativa dos bens a candidatar pela UNESCO”, pelo que “a partir daí entrámos na reta final, com a elaboração do dossier da candidatura, esses documentos foram aprovados há algumas semanas em reunião de Câmara” onde “decidimos também iniciar um período de discussão pública”.

 "Quando iniciámos o procedimento éramos muito inexperientes, temos agora que o reconhecer”

 

Uma decisão fruto dos “numerosos contributos de instituições e de particulares que estão a ser analisados e muitos deles irão ser vertidos no documento final”. Nesta iniciativa, “procurámos aqui ouvir também os nossos parceiros institucionais e os elementos das comissões científica e executiva”, resultando em “contributos diversos, muito ricos, que também irão ser analisados por forma a que numa próxima reunião de Câmara possamos aprovar já o documento final para então fazer as traduções e fazer a edição para entregar na UNESCO”, explica o autarca.

Por isso, “no próximo dia 15 irá estar em Vila Viçosa, a convite do Município, o Sr. Presidente da Comissão Nacional da UNESCO”, que “irá visitar a vila, irá estar connosco em diálogo, estará aqui o dia todo e aí iremos de facto definir os timings mais adequados para a entrega do documento”, afirma Manuel Condenado. Contudo, o autarca afirma que sua intenção “é entregar o documento no primeiro semestre deste ano”.

“A candidatura não é do Presidente da Câmara, nem da Câmara, a candidatura tem que ser de todos e é essa a nossa perspetiva e só assim é que conseguiremos obter êxito”

Questionado sobre as alterações que a candidatura sofreu ao longo de todo o processo, ou até mesmo acerca de intervenções ou ajustamentos no património, o Presidente do Município diz que “a candidatura é muito dinâmica” e “um processo dinâmico”, sendo que “relativamente aos bens físicos, a Câmara intervém naquilo que é da sua competência e tem vindo ao longo dos anos a melhorar o espaço público”.

Ao mesmo tempo que “temos tido contactos com a Casa de Bragança e sabemos que a própria fundação também tem feito investimentos consideráveis no seu património”, afirma. Por outro lado, “temos estado em diálogo com a Direção Regional de Cultura do Alentejo no sentido de apresentar algumas candidaturas, com o objetivo de requalificar algum património que necessita de intervenção”.

“A nossa preocupação única é que se veja reconhecido o valor excecional do património calipolense"

Por fim, “numa fase posterior à entrega do dossier da candidatura, virá um perito do ICOMOS [Conselho Internacional de Monumentos e Sítios] a Vila Viçosa e fará a sua observação, com vista a elaborar um relatório”, e só depois “a UNESCO informará a Câmara ou pedirá mais alguns elementos relativamente ao processo”.

Relativamente à extensão deste processo, que conta já com 16 anos de elaboração, Manuel Condenado diz que “aprendemos muito, durante estes anos”, uma vez que “quando iniciámos o procedimento éramos muito inexperientes, temos agora que o reconhecer”. Pelo que, neste período, “fizemos muito trabalho de investigação, conseguimos obter apoios a diversos níveis, que eram necessários, reformulámos os documentos por três vezes e só à terceira vez é que de facto vimos reconhecido o nosso trabalho e obtivemos o êxito de entrar na lista indicativa”.

Neste momento, “pensamos que agora será mais fácil, tendo em conta que já atingimos um determinado patamar”. Contudo, “apesar da complexidade do processo, estamos confiantes, porque o dossier está muito bem elaborado, as equipas são constituídas por especialistas de primeira água, temos muitos apoios”, como “a Fundação da Casa de Bragança apoia-nos incondicionalmente e isso é de facto preponderante para que tenhamos êxito”.

Por outro lado, apesar de ter sido o próprio a encetar o processo desde início, Manuel Condenado afirma que “a candidatura não é do Presidente da Câmara, nem da Câmara, a candidatura tem que ser de todos e é essa a nossa perspetiva e só assim é que conseguiremos obter êxito”.

Isto porque “se a população e as instituições, não se reconhecerem e não apoiarem a candidatura, será muito difícil atingirmos aquilo que nós pretendemos”, pois “a candidatura é dos calipolenses, é das instituições”, por isso “a nossa preocupação única é que se veja reconhecido o valor excecional do património calipolense”, ao mesmo tempo “que isso sirva para um maior desenvolvimento do nosso concelho”. E ao mesmo tempo, “provocar aqui um surto de desenvolvimento, sobretudo em termos turísticos”.

Por seu turno, Flávio Lopes, Técnico da Direção-Geral do Património Cultural e professor universitário, diz que “pode ficar-se com a ideia, de que pouco foi feito”, porém, “se olharem para Diário da República e verificarem o número de monumentos que havia em Vila Viçosa, classificados há 19 anos e os que há agora, vão ver que houve muito trabalho feito, quer pela autarquia, quer pela Direção Regional de Cultura, quer pela DGPC, de reconhecimento nacional em primeiro lugar deste património”.

Por isso, este longo período entre a intenção e a formalização efetiva do processo, “serviu sobretudo para internamente reconhecermos o nosso património, porque se não o reconhecermos, não podemos esperar que os de fora, como a UNESCO o venham a reconhecer”. Sobre a decisão definitiva da instituição, “estamos a falar de 2021 ou 2022, com tudo a correr bem a nosso favor”.

 

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