Vila Vicosa

O inventário de D. Teodósio em Vila Viçosa “é atualmente o maior do séc. XVI em Portugal” e “um dos maiores na Europa”, revela investigador (c/som e fotos)

Publicado em Reportagens 28 maio, 2018

O livro “De Todas as Partes do Mundo - O Património do 5.º Duque de Bragança, D. Teodósio I", foi apresentado na capela do Paço Ducal de Vila viçosa, por um dos coordenadores do projeto, o historiador Nuno Senos, no passado sábado, 26 de maio. Após uma incursão sobre o vasto património deixado pelo duque, foi possível percorrer os corredores do palácio, numa visita privilegiada, que culminou no oratório de D. Teodósio, recentemente restaurado e ainda inacessível ao público. 

O professor universitário da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, explica que o projeto nasceu “pelos tapetes” das casas nobres portuguesas, matéria de estudo da cocoordenadora Jessica Hallett, que percebeu “que havia uma lista muito extensa de tapetes pertencentes a D. Teodósio”, que por sua vez “estava incluída num inventário que se tinha feito dos bens de D. Teodósio” a quando da sua morte, em 1563. “Esse inventário é atualmente o maior inventário do séc. XVI que existe em Portugal” e “um dos maiores que existe na Europa”, revela o autor.

Aí, foi possível encontrar um conjunto de dados extremamente minuciosos, que catalogava desde as tapeçarias ao vestuário, passando pela comida, o mobiliário, os livros ou até os escravos. Por isso, “fomos juntando pessoas, para tratar, cada uma delas, a sua especialidade”, referiu o historiador. Além do mais, “tudo isto se passava no interior de um palácio, que é este, que ainda por cima temos a sorte de estar aqui” e “quase intocado”. E “aquilo que começou com uma equipa de 20 pessoas” acabou por ter mais de 40 colaboradores e investigadores.

Num projeto que dura “há quase uma década”, “foram-se juntando muitas pessoas” e “a dada altura, havia pessoas que vinham a todos os eventos que nós organizávamos, nomeadamente aqui em Vila Viçosa”. Pelo que “passámos a ter amigos aqui em Vila Viçosa”, condessa o autor, revelando que “até nos chamamos os amigos de D. Teodósio”.

Por outro lado, Nuno Senos sublinha que “a riqueza do inventário é tão grande, que nos permite tocar em vários aspetos da vida do duque”. Ao mesmo tempo, “atrás desse documento vieram outros”, como por exemplo “um documento extraordinário sobre a construção do palácio” e ainda “aquilo que se chama «o regimento», isto é, um documento que dita as regras de cerimonial que se cumpriam aqui dentro”. Permitindo assim, “reconstituir vários aspetos da vida do Paço, sobretudo do duque e da duquesa, mas também ficámos a perceber um bocadinho melhor as zonas de serviço, o que é que se guardava, quem é que lá estava, quantas pessoas lá trabalhavam”.

Algo que ajudou também a caracterizar a família dos duques de Bragança, que “ao contrário da restante aristocracia, que tende a seguir o rei (…) os Bragança raramente saem de Vila Viçosa”, o que “permitiu, que aqui em Vila Viçosa, se gerasse uma realidade também única no país, que é uma corte própria, uma espécie de corte régia, aqui”. Gerando um “cerimonial”, que “não o encontrei descrito para mais ninguém em Portugal, nem mesmo para os infantes”, o que “reforça precisamente essa ideia de lugar único” que os Bragança ocupavam, assim como o Palácio, “único quando foi construído e, na verdade, único até ao fim, único até hoje”.

Já para dia 15 de setembro, está marcada uma outra sessão sobre “aquele que é, com exceção do Palácio da Vila de Sintra, é o maior palácio gótico sobrevivente no país”.

Este livro agora lançado pela Tinta da China, pode ser encontrado em quase todas as livrarias nacionais, bem como na receção do Paço Ducal de Vila viçosa.

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