Estremoz

O passado, presente e futuro do Regimento de Cavalaria nº3 pelo Tenente Coronel Paulo Geada (c/som)

Reportagens 21 Out. 2019

A Rádio Campanário entrevistou, este sábado, o Tenente Coronel Paulo Geada, 2º Comandante do RC3 de Estremoz entre outubro de 2004 e outubro de 2007 e Comandante do mesmo Regimento de outubro de 2010 a outubro de 2012, durante a conversa foram abordadas diversas temáticas, sempre em torno do RC3 de Estremoz.

O Tenente Coronel começou por relembrar as origens do seu esquadrão, 6 de junho de 1996, segundo ele “o esquadrão não tinha nada, nem documentos, nem viaturas”, recorda o passado com nostalgia “tenho muito orgulho, é o meu menino”, “Não tínhamos nada, tínhamos a nossa farda e a nossa arma, não tínhamos viaturas, não tínhamos equipamento, não tínhamos nada” reforçou.

“Vejo aqui algumas caras que com lágrimas e com sorrisos ajudaram a levantar este esquadrão” confessa.

Sobre o presente do RC3 o ex-comandante é pragmático, “o regimento está como o exército, como as forças armadas, como as instituições, estão numa fase de transição, espero eu que para melhor, mas têm falta de pessoal, porque a sociedade hoje em dia está totalmente diferente”, questionado quanto ás razões das dificuldades de recrutamento afirma que “hoje em dia busca-se muito mais qualidade em termos de comodidade de vida do que antigamente e isso a instituição militar não tem conseguido acompanhar”.

Convidado a comentar se existem diferenças ,entre o sentido patriótico e de missão que se vive hoje em dia e aquele que se vivia à 20 ou 30 anos atrás, afirma que “apesar da forte comunicação, em especial de alguns ramos, não de todos mas de alguns, que têm feito por informar o que se passa nas suas fileiras, não tem sido acatado ou não tem chegado ao publico em geral ou ao publico alvo para recrutamento”, completa ainda que “hoje em dia mais vale ganhar 300 ou 400 euros a mais do que vestir a camisola ou fazer 1 hora ou outra por espirito de missão”, “as pessoas hoje em dia fazem porque têm que fazer” conclui.

Lamenta ainda a fraca divulgação das atividades militares “quando se fala dos fogos, muitas vezes esquecem-se de dizer que os militares também estão lá” continua a sua reflexão acrescentando “em termos de política externa, não tenho dúvidas que as forças armadas, cada vez estão a vincar mais nas missões e isso não é divulgado”.

Sobre a mudança de paradigma e a abertura das forças armadas á sociedade civil explica que “a instituição militar era fechada porque a sociedade também era fechada”, identifica também que “quanto mais forte é uma instituição, mais tempo demora a sua adaptação”.

Quanto ao futuro do RC3 afirma que “em março de 2011 quando comandei o Regimento tinha 460 homens, o Regimento com 250 homens está mal, relativamente á sua missão e comparativamente com outros períodos, mas está melhor comparativamente com outros e com outras unidades”, aprofunda a sua afirmação indicando que “ se formos ver, tirando grande parte das unidades do norte, o regimento está muito bem em termos de homens, não está bem porque não tem homens para fazer a sua missão, portanto ou se pede demais aos homens ou a missão não fica totalmente feita”. Abordando a forma de como os problemas demográficos da região afetam o RC3 explica que “se as unidades do Alentejo têm voluntários e não os aproveitam, por uma questão demográfica, o Regimento nunca poderá ter muitos homens”, recorda que “quando cheguei aqui em 84, com a instrução o Regimento tinha cerca de 1200 homens, aqui havia cerca de 800”, afirma convictamente que “alguém, em termo de planeamento, teve a ideia de extinguir o Regimento, ou ir para outra localidade” no entanto “o Regimento sempre consegui alterar a sua missão e permanecer no seu espaço territorial” e termina afirmando que “o Alentejo não vive sem o Regimento, assim como o Regimento não vive sem o Alentejo”, “realmente faltam meios e homens, mas de certeza absoluta que os homens que cá estão têm muita vontade de com os meios que têm, cumprir todas as missões”.

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