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Um médico, uma vida, uma missão: Vila Viçosa celebra o legado de Couto Jardim(c/fotos)

Vila Viçosa assinala hoje, 16 de agosto, o seu Feriado Municipal, numa data que presta homenagem a uma das figuras mais marcantes da história da comunidade calipolense: o médico Dr. João Augusto do Couto Jardim, nascido na vila precisamente neste dia, em 1879.

Mais do que recordar uma personalidade ligada à medicina, a celebração pretende manter viva a memória de um homem que fez do serviço à comunidade uma verdadeira missão de vida. A sua ação distinguiu-se não apenas pela competência profissional, mas sobretudo pela proximidade, solidariedade e preocupação com aqueles que mais precisavam.

A homenagem decorreu esta manhã junto ao busto do Dr. Couto Jardim, na Avenida Bento de Jesus Caraça, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Vila Viçosa, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa e a Associação VIVV – Viver Vila Viçosa.

Filho de João Gomes Jardim, João Augusto do Couto Jardim concluiu o curso de Medicina na Universidade de Coimbra, em julho de 1903. Regressou depois à sua terra natal, onde iniciou uma longa carreira dedicada à saúde dos calipolenses.A sua forma de exercer medicina ultrapassava, contudo, os limites do consultório. O médico era conhecido por visitar os doentes nas suas próprias casas e, perante situações de pobreza, fazê-lo sem cobrar qualquer valor.

A sua generosidade chegou ao ponto de entregar os próprios recursos a quem enfrentava dificuldades, numa demonstração de humanidade que contribuiu para construir uma relação de profundo respeito e carinho com a população.Durante a gripe espanhola, período particularmente dramático da história da saúde pública, Couto Jardim desempenhou funções como subdelegado de saúde e destacou-se pelos esforços desenvolvidos para acudir à população.

Durante a cerimónia desta manhã, Tiago Salgueiro, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, sublinhou que a iniciativa pretende, acima de tudo, “não esquecer o legado deste homem na vida da comunidade”.

O autarca destacou a intervenção de Couto Jardim no combate à doença e a forma como tratava todos os calipolenses de igual modo, independentemente da sua condição social.

A sua atuação durante a gripe espanhola foi igualmente recordada, numa altura em que, segundo Tiago Salgueiro, o médico se “desdobrou” em esforços para “acudir a todos”.

Mas é sobretudo o lado humanista que continua a ser apontado como uma das maiores marcas do legado de Couto Jardim.

Para o autarca, são precisamente esses valores que devem ser preservados e transmitidos às novas gerações. Tiago Salgueiro defendeu ainda a importância de dar a conhecer aos mais jovens a história do Feriado Municipal e a figura que lhe está associada, considerando que “exemplos como este devem ser sempre valorizados”.

O reconhecimento da comunidade pela dedicação de João Augusto do Couto Jardim começou muito antes da criação do atual momento comemorativo. Em 1953, Vila Viçosa promoveu uma grandiosa festa de homenagem para assinalar os 50 anos de dedicação do médico à medicina e ao bem-estar dos calipolenses.

O carinho da população ficou também perpetuado através da atribuição do seu nome a uma rua e a uma associação juvenil e cultural da vila. Uma estátua foi igualmente erguida em sua memória, mantendo presente no espaço público a figura de um homem cuja ação marcou profundamente a comunidade.

João Augusto do Couto Jardim morreu a 14 de novembro de 1962, aos 82 anos.Até ao fim, manteve a simplicidade que caracterizou a sua vida. De acordo com a sua vontade, o funeral realizou-se de forma simples e modesta.

Num último gesto de generosidade para com a comunidade que serviu durante décadas, deixou a sua casa, situada na antiga Rua de Cambaia, à Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa, com o objetivo de aí ser criado um jardim de infância.

O gesto resume, de certa forma, o legado que hoje Vila Viçosa continua a celebrar: uma vida colocada ao serviço dos outros, marcada pela medicina, mas também pela solidariedade, pela igualdade e pela compaixão.

Neste 16 de agosto, o Feriado Municipal é, assim, mais do que uma data no calendário. É uma oportunidade para recordar um homem que fez da sua profissão uma forma de servir e cuja história continua a inspirar a comunidade calipolense.

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