O Alentejo pode estar prestes a preencher uma lacuna histórica no panorama cultural português com a criação da sua primeira Orquestra Regional. A Universidade de Évora está a preparar uma candidatura ao concurso lançado pela Direção-Geral das Artes (DGARTES), assumindo a disponibilidade para liderar o processo e procurando mobilizar os municípios e restantes entidades da região.
Em declarações à Rádio Campanário, António Sáez Delgado, vice-reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora, revelou que já está em curso o trabalho de preparação da candidatura, cujo prazo de apresentação termina a 25 de setembro.
O responsável considera que o projeto representa “um momento muito importante na vida cultural e social da região”, numa altura em que o Alentejo procura criar uma estrutura profissional capaz de reforçar a oferta cultural e, simultaneamente, contribuir para a projeção da região.
António Sáez Delgado explicou que a candidatura está agora numa fase de preparação e que o processo envolve várias entidades do território. “Neste momento está aberto o prazo de apresentação de candidaturas (até 25 de setembro) e a Universidade está neste momento na fase de preparação da mesma”, afirmou.
O vice-reitor reconhece, contudo, que se trata de um processo exigente, uma vez que será necessário garantir o envolvimento dos municípios e de outras entidades regionais. “É um processo complexo pois é preciso o apoio dos municípios e de outras entidades, sendo posteriormente necessária a constituição de uma Associação que será depois a promotora da iniciativa”, explicou.
A Universidade de Évora assume a liderança da preparação da candidatura, mas pretende que a futura estrutura tenha uma dimensão verdadeiramente regional. Para António Sáez Delgado, o envolvimento da Universidade de Évora neste projeto é assumido “com muita responsabilidade”. Por um lado, porque a criação de uma orquestra regional corresponde a uma ambição antiga da academia alentejana. “O nascimento desta Orquestra é o sonho da Universidade de Évora há muitos anos”, revelou.
Por outro, o responsável considera que a Universidade dispõe de condições para assumir este desafio, apontando o trabalho desenvolvido pela Escola de Artes e a “solidez intelectual” da instituição. Apesar da liderança da candidatura, António Sáez Delgado faz questão de afastar a ideia de que esteja em causa a criação de uma estrutura exclusivamente ligada à academia ou à cidade de Évora.
“Queremos que este seja um projeto do Alentejo, pelo Alentejo, para o Alentejo e com o Alentejo”, reforçando “não queremos que esta seja uma orquestra de Évora”.
A futura estrutura pretende assumir uma dimensão profissional, “é uma orquestra profissional à qual ficarão afetos cerca de 35 a 40 músicos que irão estabelecer-se no território”, adiantou o vice-reitor.A criação desta estrutura poderá representar, assim, não apenas um reforço da oferta cultural, mas também uma alavanca á fixação de pessoas e factor dinamizador da economia do território.
Num contexto de promoção/divulgação, a DGARTES, com o envolvimento da CCDR Alentejo e das comunidades intermunicipais, têm realizado sessões de apresentação e esclarecimento sobre o programa em todo o Alentejo. Para António Sáez Delgado, uma das prioridades passa agora precisamente pela divulgação do projeto e pela sensibilização dos diferentes agentes regionais para a sua importância.
O responsável acredita que a futura orquestra poderá assumir um papel muito para além da programação musical. Será “uma plataforma de primeiríssimo nível quer na divulgação do Alentejo dentro e fora de portas como é também um elemento de criação de tecido cultural e económico para a região”, afirmou.
A ambição passa, assim, por transformar a orquestra numa estrutura com capacidade de circulação, promoção do território e criação de novas dinâmicas culturais e económicas. A mobilização dos municípios e outros parceiros é uma das principais etapas do processo. António Sáez Delgado reconhece que esta é uma tarefa exigente e um processo complicado, mas garante que a Universidade de Évora já iniciou contactos e está no terreno a trabalhar para que o projeto chegue a bom porto.
O objetivo, explica, é garantir que o projeto não fique limitado a um pequeno número de entidades e possa contar com uma participação alargada dos municípios alentejanos. António Saez Delgado reitera que a posição da Universidade é clara: “Construir uma orquestra que não será a orquestra da Universidade mas sim uma Orquestra de todo o Alentejo”.
Neste momento, cabe aos municípios e restantes entidades do território avaliar a adesão ao projeto e definir as condições em que pretendem participar. O Vice-reitor deixou um apelo direto às autarquias e restantes entidades alentejanas para que se associem à iniciativa. “Quantos mais Municípios estiverem dentro do projeto mais o projeto será de todos”, afirmou.
O concurso lançado pela Direção-Geral das Artes prevê um financiamento global de 1,62 milhões de euros para os primeiros dois anos, correspondente a 810 mil euros por ano. A este montante será acrescentada uma verba de 190 mil euros, disponibilizada diretamente pelo Fundo de Fomento Cultural, com o objetivo de apoiar o arranque da futura estrutura.
O financiamento será assegurado através de uma combinação de verbas do Ministério da Cultura, por via da DGARTES e do Fundo de Fomento Cultural, e das contribuições dos municípios que decidam integrar o projeto.
A Universidade de Évora procura agora reunir os apoios necessários e fechar a candidatura dentro do prazo estabelecido. Determinada, a Academia poderá ser decisiva para que o Alentejo possa finalmente passar a contar com uma estrutura orquestral regional profissional, colocando a música e a criação artística no centro de uma estratégia mais ampla de valorização e projeção do território.

