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“Valorizar continuamente o Boneco de Estremoz é preparar o futuro desta arte secular” – Alexandre Correia

O Boneco de Estremoz continua a afirmar-se como um dos mais importantes símbolos da identidade cultural alentejana, beneficiando da crescente visibilidade proporcionada por iniciativas de promoção e valorização do património cultural imaterial.

À margem da inauguração do Mercado do Património Cultural Imaterial de Estremoz, o Grão-Mestre da Confraria do Boneco de Estremoz, Alexandre Correia, destacou a importância destes eventos para a preservação e divulgação desta arte secular, reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Segundo Alexandre Correia, o Boneco de Estremoz atravessou um período em que esteve praticamente ausente dos principais certames e iniciativas culturais e afirmou que “o Boneco de Estremoz tinha desaparecido completamente das feiras e dos eventos, não só das feiras de artesanato, mas também de conferências, atividades escolares e de uma série de representações em todo o território”.

O responsável sublinhou que essa ausência teve consequências na notoriedade desta expressão artística. “Quem não aparece, esquece”, afirmou, defendendo a necessidade de continuar a trabalhar na valorização do Boneco de Estremoz, apesar da projeção alcançada através da classificação da UNESCO.

“Temos de trabalhar e preparar o futuro, trabalhar o futuro é valorizar o Boneco de Estremoz continuamente e criar condições para que as novas gerações tenham vontade e interesse em aprender esta arte, garantindo a continuidade deste património que já conta com mais de 300 anos de história”, acrescentou.

Alexandre Correia destacou ainda o crescente interesse das camadas mais jovens pelas tradições populares e pelo artesanato. De acordo com o Grão-Mestre da Confraria, as diversas ações desenvolvidas junto das escolas têm revelado uma mudança significativa de atitude por parte das crianças e dos jovens. “Cada vez mais nota-se vontade dos jovens em aprender esta arte, nas várias atividades que realizamos junto das escolas, não só em Estremoz mas também noutras localidades, percebemos um enorme interesse das crianças em aprender a fazer Bonecos de Estremoz”, afirmou.

O dirigente recordou que, há alguns anos, existia algum preconceito ou constrangimento entre os mais novos relativamente à participação em tradições populares. Contudo, considera que essa realidade se alterou profundamente e destacou que “hoje os ranchos estão cheios de crianças, os grupos de cantares tradicionais também cheios de jovens e muitas crianças a querer aprender com os pais, os avós e os tios”, acrescentando que “eventos desta natureza, com esta dignidade e qualidade, fazem com que os jovens se sintam valorizados e percebam que vale a pena apostar no artesanato e dar continuidade a este legado familiar, do território e do país”.

O Mercado do Património Cultural Imaterial de Estremoz surge precisamente com o objetivo de promover as tradições, os saberes e as manifestações culturais que fazem parte da identidade local e nacional, contribuindo para a sua transmissão às futuras gerações e para o reforço do reconhecimento do Boneco de Estremoz enquanto património vivo.

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