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Variante Nascente de Évora abre ao trânsito e reforça segurança e ligação do Alentejo à rede nacional (c/fotos)

A Variante Nascente de Évora, integrada no IP2, foi inaugurada esta quinta-feira, 3 de setembro, numa cerimónia que marcou a entrada em funcionamento de 12,8 quilómetros de nova estrada e a conclusão de mais uma das empreitadas rodoviárias financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A nova via pretende melhorar as condições de circulação e segurança rodoviária e retirar uma parte significativa do tráfego de passagem do interior da cidade de Évora. A intervenção integra o investimento do PRR destinado à conclusão de ligações em falta e ao aumento da capacidade da rede rodoviária nacional.

A entrada em funcionamento da variante ocorre depois de a Infraestruturas de Portugal ter corrigido a informação inicialmente divulgada sobre a data de abertura.

Na cerimónia, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, destacou sobretudo o impacto da nova estrada na segurança rodoviária. “É fundamental, nós sabemos que para ter visão zero, há muito trabalho a fazer e uma das dimensões fundamentais é melhorar as infraestruturas rodoviárias”, afirmou.

O governante salientou que estradas com separador central e duas faixas de rodagem permitem “muito mais segurança”, “fluidez” e “conforto”, contribuindo para a redução da sinistralidade. Hugo Espírito Santo acrescentou que esta intervenção se enquadra numa estratégia mais ampla de melhoria da segurança rodoviária, articulada com o Ministério da Administração Interna e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

Para o secretário de Estado, a nova infraestrutura não beneficia apenas Évora, mas contribui para reforçar a ligação de todo o Alentejo e afirmou que “uma variante como esta não serve apenas Évora”, defendendo que os investimentos da Infraestruturas de Portugal têm “uma dimensão nacional” e são importantes para garantir “muito maior fluidez”.

“Nós precisamos de um Alentejo que esteja muito mais ligado para que assim possa desenvolver e possa continuar a crescer”, acrescentou.

A obra agora inaugurada não corresponde ainda à conclusão integral da ligação prevista, uma vez que permanece por concretizar o troço entre o final da variante e o IP2, na zona de São Manços. Questionado sobre essa ligação, Hugo Espírito Santo afirmou que a Infraestruturas de Portugal está a trabalhar para definir quando poderá ser lançada e concretizada. “O governo está empenhado” na sua concretização, garantiu.

O secretário de Estado revelou ainda que a Infraestruturas de Portugal prevê investir cerca de 700 milhões de euros no Alentejo até ao final de 2028, abrangendo os três distritos da região e investimentos tanto na ferrovia como na rodovia.

Para Hugo Espírito Santo, a obra hoje inaugurada representa, assim, mais uma etapa de um ciclo de investimento em infraestruturas que deverá prolongar-se nos próximos anos. O secretário de Estado considerou o PRR “fundamental” não apenas pelo financiamento disponibilizado, mas também por ter permitido à Infraestruturas de Portugal recuperar capacidade de investimento. Segundo o governante, quando o atual Governo tomou posse, a empresa tinha cerca de mil milhões de euros de “backlog” de investimento rodoviário.

“O PRR foi fundamental, não só porque obviamente foi um estímulo externo que nos ajudou a responder, mas também porque permite à IP montar e remontar esta máquina de investimento que agora vai ser muito necessária para tudo aquilo que são os próximos 10 anos em Portugal”, afirmou.

A Variante Nascente de Évora é uma das últimas intervenções rodoviárias concluídas no âmbito do PRR. O investimento surge numa fase final de execução do programa, depois de a Infraestruturas de Portugal ter ultrapassado a meta estabelecida para a construção ou requalificação de estradas. Estava prevista a conclusão de pelo menos 111 quilómetros até 31 de agosto. A empresa atingiu, contudo, 154 quilómetros.

O presidente do Conselho de Administração da Infraestruturas de Portugal, Paulo Carmona, sublinhou precisamente esse resultado e revelou que “esta variante são 12,8 km de nova estrada que reforçam a ligação de Évora à rede nacional, melhoram as condições de circulação e segurança e, sobretudo, melhoram a vida de quem aqui vive, trabalha e circula”.

Paulo Carmona destacou que a Variante Nascente é uma das intervenções concretizadas pela IP no âmbito do PRR e que a empresa cumpriu “todas as 21 metas contratualizadas” no programa, abrangendo investimentos rodoviários e ferroviários. “No âmbito do investimento missing links e aumento da capacidade de rede, ultrapassámos a meta dos 111 km de estradas construídas ou requalificadas, chegando aos 154 km”, afirmou.

No conjunto dos investimentos realizados pela Infraestruturas de Portugal, foram recebidos 508 milhões de euros de fundos europeus, correspondentes a 94% do financiamento disponível. “São números importantes, mas aquilo que realmente importa são os resultados que ficam no território: mais e melhores infraestruturas, mais segurança, melhores ligações e melhores condições para as pessoas e para as empresas”, sublinhou.

“O cumprimento do PRR é um resultado coletivo e é também uma demonstração daquilo que conseguimos fazer quando trabalhamos em conjunto, com objetivos claros e com compromisso”, afirmou.

A Câmara Municipal de Évora espera que a nova variante tenha um impacto significativo na circulação dentro da cidade. O vice-presidente da autarquia, Jerónimo José, considera que a infraestrutura “afirma Évora e a região com uma nova centralidade e um novo foco de atratividade”, contribuindo não só para a mobilidade, mas também para a eventual instalação de futuras plataformas logísticas.

Entre os principais efeitos esperados está a retirada do tráfego de passagem que atualmente atravessa a cidade, nomeadamente veículos pesados e outros veículos que circulam entre o norte e o sul do país ou em direção a Espanha sem necessidade de entrar no tecido urbano.

“Isso permite retirar substancialmente trânsito de dentro do tecido urbano de Évora”, afirmou.

Segundo Jerónimo José, estudos realizados apontam para uma redução do tráfego automóvel no centro da cidade na ordem dos 30% a 40%, podendo, num cenário considerado “ótimo”, chegar aos 50%.

A redução do tráfego deverá ter também efeitos na qualidade de vida e no ambiente urbano, através da diminuição das emissões no interior da cidade, fator que segundo o autarca “permite melhorar não só a circulação automóvel, mas também a qualidade de vida e de saúde, logicamente, com menores emissões dentro da malha urbana”.

A autarquia vê ainda na nova ligação uma oportunidade para reforçar a atratividade económica de Évora e do território envolvente.

Jerónimo José considera que a melhoria das acessibilidades poderá beneficiar a instalação de novas atividades empresariais e de plataformas logísticas, ao reduzir tempos e custos de circulação e referiu que “estas vias acabam sempre por ser complementares àquilo que o investidor procura também na circulação e nos custos que têm impacto diretamente nas empresas”.

Apesar da entrada em funcionamento da Variante Nascente, o autarca defende a continuidade da ligação para além do nó de São Manços. “Quanto mais vias tivermos, acho que melhor a atratividade do território, não só do ponto de vista da mobilidade, mas também do ponto de vista do investimento”, afirmou.

Com a abertura da Variante Nascente, Évora passa a dispor de uma nova ligação rodoviária destinada a melhorar a segurança e a fluidez do tráfego, enquanto a região ganha uma infraestrutura que poderá contribuir para reforçar a sua conectividade e atratividade económica.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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