Após vários anos de ausência, a Procissão de Santo António voltou a percorrer as ruas de Vila Viçosa na tarde desta sexta-feira, num momento marcado pela fé, pela emoção e pelo reencontro com uma das mais emblemáticas tradições da vila.
A celebração, organizada pela Associação Alegres do Olival em parceria com a Fábrica Paroquial da Igreja de São Bartolomeu, reuniu dezenas de fiéis e devolveu à comunidade calipolense uma manifestação religiosa profundamente enraizada na sua história e identidade.
Mais do que uma simples cerimónia religiosa, o regresso da procissão representou um reencontro com a memória coletiva, com os valores transmitidos de geração em geração e com o património imaterial que continua a definir a alma de Vila Viçosa.
A celebração foi presidida pelo Padre Luís Filipe Fernandes, que destacou a importância dos santos como referências para a vida dos cristãos.
“Este é um momento importante porque, quando celebramos os nossos santos, reconhecemos neles referências para as nossas vidas”, sublinhou o sacerdote.
Referindo-se a Santo António, o pároco destacou as suas qualidades humanas e espirituais, descrevendo-o como “um homem de uma sabedoria extraordinária, que confiava plenamente em Deus e anunciava o Evangelho mesmo quando não era escutado”, apontando a sua resiliência como um exemplo particularmente atual.
Num mundo marcado por desafios e incertezas, o sacerdote apelou ainda à necessidade de cultivar a esperança, sobretudo junto das gerações mais jovens.
“É cada vez mais importante semear a esperança de dias melhores”, afirmou, lembrando igualmente que Santo António continua a ser uma referência de amor ao próximo, valor que considera essencial para a construção de uma sociedade mais humana e solidária.
A edição deste ano ficou também marcada pelo regresso da Bênção do Pão de Santo António.
Associada à figura do santo conhecido pela sua generosidade para com os mais pobres, esta tradição religiosa e popular traduz-se na bênção e distribuição do pão como sinal de fartura, partilha e proteção para as famílias.
Também João Nunes, conhecido por Matagosa e presidente da Associação Alegres do Olival, destacou a importância do envolvimento das associações locais na preservação das tradições que moldam a identidade das comunidades.
Para o responsável, a concretização desta iniciativa demonstra que a colaboração entre instituições pode produzir resultados significativos.
A parceria entre a Associação Alegres do Olival e a Igreja de São Bartolomeu é, segundo referiu, a prova de que “quando existe vontade, tudo se faz”.
A procissão deste ano ficou marcada por uma devoção renovada e por um forte sentimento de pertença, traduzindo-se num gesto coletivo de gratidão, esperança e partilha.
Num tempo em que os laços comunitários assumem uma importância crescente, o regresso desta tradição veio demonstrar que a fé continua a ser um elemento agregador e que Vila Viçosa permanece fiel às suas raízes.
O reencontro com Santo António simboliza, assim, muito mais do que o regresso de uma celebração religiosa. Representa o início de um novo ciclo onde fé, cultura, património e comunidade caminham lado a lado, garantindo que uma das mais queridas tradições calipolenses continue viva nas gerações futuras.
Porque em Vila Viçosa as tradições não morrem — renovam-se, fortalecem-se e continuam a unir um povo em torno daquilo que melhor o define: a sua identidade.
Veja as imagens:
















































