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Vila Vicosa

“As crises são fontes de oportunidades e Vila Viçosa tem várias para explorar a nível de empreendedorismo” diz professor André Leonardo (c/som e fotos)

Entrevistas 24 Set. 2020

No dia de hoje o Motor Social/CLDS4G de Vila Viçosa promoveu um workshop sob o tema “Empreender em tempos de crise”, ministrado pelo empreendedor André Leonardo.

O evento que contou com cerca de 40 participantes, divididos em dois grupos para cumprir as normas da Direção-Geral de Saúde, está inserido na ação “Casa do Empreendedor” do Motor Social, que visa promover, apoiar e divulgar a criação e o desenvolvimento de iniciativas no âmbito do empreendedorismo e da inovação.

A Rádio Campanário esteve presente e falou com André Leonardo, fundador da empresa “Faz Acontecer”, sobre este workshop e a sua vida de empreendedor.

Sobre o evento conta que devido à fase que se vive no país e no mundo, é preciso “transformar as coisas menos boas em oportunidades”. Nesse sentido esteve em Vila Viçosa “para inspirar as pessoas, para lhes mostrar que esta é uma altura onde existem muitas oportunidades, vão existir muitas oportunidades e no fundo tentar capacitá-las a pensar como podem explorar essas mesmas oportunidades”.

Sobre o workshop conta que “falamos de empreendedorismo, depois desmistificamos o que é o e depois eu explico como é que as pessoas podem ir atrás do projeto que querem fazer acontecer. Temos aqui várias metodologias um bocadinho diferentes do normal, mas onde quem passa por aqui sai a saber fazer como pode fazer acontecer, como pode montar o seu negócio, como pode ir atrás do seu sonho”.

Aos 24 anos André Leonardo partiu sozinho para uma expedição à volta do Mundo onde passou por 23 países, com o objetivo de procurar energia e ânimo e estabelecer contacto com pessoas positivas, deixar-se contagiar por empreendedores, tanto nos negócios como na vida, aprender com gente que faz acontecer.

Revela que a viagem foi “épica”, na qual entrevistou pessoas que faziam acontecer, “desde milionários no Estados Unidos até pessoas em bairros de lata na Índia, mas que cada um à sua forma faz acontecer”.

Após essa viagem pelo mundo deu também a volta a Portugal “a encontrar pessoas que são inspiradoras. Por acaso ontem saiu o livro relacionado com esta volta a Portugal e estou muito entusiasmado com o que aí vem e com a possibilidade de dar a conhecer gente portuguesa que não aparece nas notícias, mas que tem fibra”.

Em 2016 foi eleito como um dos “sete jovens que estão a transformar o Mundo” pela Pangea (Madrid, Espanha). Sobre a nomeação afirma que quando soube pensou “que era uma brincadeira, porque é uma coisa especial e no fundo fui fazendo o que achava que podia fazer para tornar o mundo um bocadinho melhor, para inspirar pessoas e isso tivesse impacto na vida das pessoas. É isso que faço. É só fazer aquilo que me deixa feliz e que acaba por ter algum impacto positivo nas pessoas”.

É mestre em Gestão pelo ISCTE-IUL e especializado em empreendedorismo e criação de empresas. Explica que ser empreendedor em Portugal “é um desafio com muita coisa menos boa, mas também com muita coisa boa. Portugal é um país fantástico no sentido que temos muitas oportunidades para explorar, tem muito por onde se fazer acontecer e acho que temos todos os recursos para poder fazer mais coisas e que as coisas vão andando bem para todos”.

Afirma que ainda há muito a explorar a nível de empreendedorismo no país: “ainda há pouco cheguei a Vila Viçosa e só à hora de almoço descobri três ou quatro oportunidades interessantes para explorar aqui, desde o turismo religioso aos doces conventuais”.

Quanto a empreender em tempos de crise “costumamos dizer que as crises são fontes de oportunidades porque as coisas funcionavam de uma determinada forma, vem uma crise e tudo muda, o público tem novas necessidades e as empresas também têm de dar resposta, nada será como antes e isto gera oportunidades para quem está agora a começar, abrir as portas de outra maneira e fazer as coisas de maneira diferente”.

Em Portugal o empreendedorismo tem vindo a crescer nos últimos anos e sobre como será nos próximos dez anos acredita que tudo estará mais digital e “o mundo vai estar cada vez mais próximo”. “Com a globalização cada vez mais se procura o que é genuíno, autêntico e diferente. E as nossas aldeias ou vilas têm aqui uma oportunidade muito grande (…) Às vezes é preciso sairmos, ver o mundo para depois olharmos para as nossas casas de maneira diferente, como aqueles que cá vêm olham”.

Sobre as possibilidades de empreendedorismo em Vila Viçosa refere que “há muita coisa por onde explorar”.

Deixa ainda de conselho a quem pretende tornar-se empreendedor que “estude muito, muita estratégia, muita planificação, porque fazer acontecer e ser empreendedor no sentido de criar empresas não é para todos. É algo que dá muita trabalho, é mesmo difícil, é preciso querer. E se alguém não quer ou não sabe para onde quer ir, mais vale estudar outra vez e depois ir”.