Beja

14º Festival de BD em Beja será a rampa de lançamento do primeiro museu do género no país (c/som)

Regional 17 maio 2018

Aquilo que começou como um pequeno atelier, na década de 90, transformou-se num festival internacional que hoje é um dos maiores do país e da Europa, situado no Alentejo, mais precisamente em Beja. Na direção do festival desde 2005, Paulo Monteiro, também autor de histórias aos quadradinhos, explicou à Rádio Campanário os motivos que atraem mais de 50 autores e 60 editores, durante dez dias, e revelou ainda que o primeiro museu de banda desenhada, anunciado em Beja o ano passado, poderá ser uma realidade em breve.

Nas palavras de Paulo Monteiro, este festival que reúne cerca de 10 mil pessoas em Beja, “não é um festival nem alternativo, nem comercial”, ao contrário da maioria dos eventos deste género por toda a Europa. O que lhe confere uma maior abrangência, com a “preocupação de mostrar todos os estilos, todas as tendências, todos os tipos de banda desenhada”, desde “os autores mais alternativos, aos super-heróis”, tornando o “público muito diversificado”.

Por outro lado, ao mesmo tempo que existe um enorme rigor na organização e pontualidade dos evento, que permite conciliar 21 exposições, workshops, concertos e conferências, ou fazer o lançamento de 16 livros num só final de semana, este é também “um festival muito informal”, onde “ao contrário do que acontece na gigantesca maioria dos festivais, o acesso aos autores é perfeitamente livre” e qualquer um pode “falar com o autor, ir beber um café ou uma cerveja”, o que é incomum, explica a organização, que além de todo o apoio logístico da Câmara Municipal de Beja, conta com um orçamento de 30 mil euros para levar acabo este festival.

Sobre a abertura do museu de Banda Desenhada de Beja, anunciado no ano passado, Paulo Monteiro explica que “a nossa espectativa é que abra talvez para o ano”, uma vez que será constituído, essencialmente, “com uma série de doações” e “inclusivamente durante o festival vamos receber uma doação muito importante de pranchas do Eduardo Teixeira Coelho, que é um autor muito importante de meados do século XX”, assim como “muitas pranchas do Fernando Relvas, que é o nosso autor mais importante para os anos oitenta”. Nesse aspeto, o festival servirá precisamente como rampa de lançamento do museu.

O diretor da Casa da Cultura de Beja explica ainda que “a história da nossa banda desenhada é das mais ricas do mundo”, pois “fomos dos primeiros países a ter banda desenhada logo em 1850”, pelo que a abertura do museu será “um marco importante, não só para a nossa região, mas até para o país, porque será o primeiro museu de banda desenhada de Portugal”.

O festival deste ano contará com diversos autores de renome, como o italiano Manuele Fior (1975 -), autor de “Icarus”, “considerado um dos autores mais importantes da sua geração”, diz Paulo Monteiro, que “é a primeira vez que vem expor a Portugal e vem lançar também, pela primeira vez, um livro”, o que “é também uma característica do festival”. Estará também presente o sueco Max Andersson, que retrata sobretudo ambientes de guerra, de uma forma muito séria, vários autores brasileiros como Wagner William, ou a dupla luso-brasileira de André Morgado e Alexandre Leoni, que escreveu e desenhou “A Vida Oculta de Fernando Pessoa”.

Com um cartaz ilustrado por Ana Monteiro, o 14º Festival de Banda Desenhada de Beja conta com uma programação que em diversos dias entra pela noite fora, até às 4h da manhã do dia seguinte, a partir de dia 25 de maio, até 10 de junho, com eventos espalhados por toda a cidade.

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