20 Jan. 2022
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Viana do Alentejo

Obras-primas da música checa dos séculos XIX e XX em Viana do Alentejo

Regional 07 Set. 2021

Viana do Alentejo recebe, a 11 e 12 de Setembro, o Festival Terras sem Sombra para uma jornada que celebra diferentes geografias sonoras.

Grandes páginas da música romântica, naturalista e modernista chegam à emblemática vila, na transição de Évora para Beja, com o selo do reputado ensemble checo Smetana Trio; antes disso, o som das planícies alentejanas ressoa na ancestral arte chocalheira de Alcáçovas; e, a seguir, o rumorejar das águas nos moinhos velhos da Ribeira de Papa-Galos convoca ecos de paisagens de antanho, conforme nota de imprensa enviada à nossa redação.
O há muito aguardado concerto pelo Smetana Trio (11 de Setembro, 21h30, Cineteatro Vianense) promete uma noite repleta de emoções. “Como Um Vaso de Cristal: Trios Para Piano da Europa Central” é o título do programa que reúne três obras dos grandes compositores checos Vítězslav Novák, Bohuslav Martinů e Bedřich Smetana. Nas palavras do director artístico do Festival Terras sem Sombra, Juan Ángel Vela del Campo, “esta é uma espécie de viagem à quinta-essência da música checa dos séculos XIX e XX”.
Fundado em 1934 por grandes intérpretes de carreira internacional, o pianista Josef Pálenícek, o violinista Alexandr Plocek e o violoncelista František Smetana, o Smetana Trio é o mais destacado ensemble camerístico, no repertório em que se especializou, da República Checa, e impôs-se, há muito, como uma referência internacional.
Autor de impressionante discografia, o agrupamento salientou-se pelos registos dedicados às integrais dos trios para piano de Shostakovich e Ravel e à obra de Dvořák, que receberam o BBC Music Magazine’s Chamber Award e o Diapason d’Or em 2007. Como salientou o BBC Music Magazine, “cada aspecto da interpretação é cuidadosamente ponderado, mas sem perder um grama que seja de espontaneidade; as contribuições de cada um dos intervenientes sobressaem pelo foco e pela beleza, ainda que a poderosa noção de conjunto nunca seja sacrificada em prol da apresentação individual.”
A formação que se apresenta em Viana do Alentejo – Jan Talich (violino), Jan Páleníček (violoncelo) e Jitka Čechová (piano) – tem prosseguido e aprimorado, nas últimas décadas, os ideais
interpretativos definidos pelos seus insignes antecessores ao longo do século XX. Os membros do trio já realizaram inúmeras digressões em grupo ou actuando como solistas noutros dispositivos.
Os sons das paisagens alentejanas: a arte chocalheira e a Ribeira de Papa-Galos
No sábado à tarde (11 de Setembro, 15h), em plena vila de Alcáçovas, no Paço dos Henriques – o antigo Paço Real onde se celebrou o célebre Tratado de Alcáçovas, em 1479 – inicia-se uma jornada em que soa o inconfundível tilintar, baço e metálico, do chocalho. Guiados pelo antropólogo Paulo Lima e pelo mestre chocalheiro Francisco Cardoso, entre outros conhecedores do património local, os participantes na acção de património são convidados a conhecer um dos elementos mais característicos da paisagem sonora dos territórios onde impera o pastoreio tradicional.
No Alentejo, região de grandes pergaminhos na pecuária extensiva, o fabrico de chocalhos representa uma arte singular, com mais de dois mil anos. Os segredos desta arte, transmitida de pais para filhos, requer um processo manual muito próprio, cujos segredos são preservados com sigilo, e a freguesia de Alcáçovas constitui um dos seus epicentros em Portugal. Em vias de se perder, devido à industrialização e ao desaparecimento das velhas técnicas de apascentamento, a arte chocalheira foi classificada pela UNESCO, em 2015, como Património Cultural Imaterial da Humanidade, uma forma de salvaguardar este antigo ofício e que voltou a colocar os chocalhos na ordem do dia.
A completar o fim-de-semana em Viana do Alentejo, realiza-se no domingo de manhã (12 de Setembro, 9h30) a habitual acção de biodiversidade, com ponto de encontro marcado no Jardim de Alcáçovas. Orientada por dois peritos, Cristina Branquinho (professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) e por João Mendes (ambientalista), a acção incide sobre a Ribeira de PapaGalos ou de Alcáçovas – um curso de água que nasce na região de Évora e percorre 74 km, antes de desaguar já perto de Alcácer do Sal.
Locais apreciados pelos amantes de caminhadas na natureza, os trilhos ao longo da ribeira, descobrem-se no frescor dos rumorejos da água nos pegos e levadas, revelando as ruínas de velhos moinhos de água, como os do Diegues (um dos mais famosos), do Salsinha ou do Bigurrilhas, para citarmos três casos emblemáticos. Conhecer melhor a fauna e a flora deste significativo afluente do rio Sado, assim como diversos aspectos da ocupação humana das suas margens ao longo dos séculos, são algumas das propostas para mais uma manhã na natureza com a biodiversidade por horizonte.

O Festival Terras sem Sombra configura uma temporada cultural que, em itinerância por diversos concelhos do Alentejo, propõe um programa que abarca a música erudita, o património e a biodiversidade. As actividades acontecem aos fins-de-semana e são de entrada livre, sujeitas às regras sanitárias em vigor decorrentes da actual situação pandémica.
É a primeira vez que o festival se apresenta no concelho de Viana do Alentejo, fruto de uma parceria com o município local a que se associaram outras entidades locais. A próxima (e última etapa) do Terras sem Sombra, neste Verão, é Odemira (18 e 19 de Setembro). Aos aclamados belgas do Terra Nova Collective, sob a direcção de Vlad Weverbergh, caberá o fecho da 17.ª temporada do festival alentejano que, neste ano atípico, celebrou o renascer sob o mote “Através do Incêndio:Contingências, Expectativas e Superações na Música Ocidental (Séculos XVI-XXI)”
O Festival Terras sem Sombra é uma estrutura financiada pela Direção-Geral das Artes.

Foto: CM Viana

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