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“Se voltarmos a parar a equipa sénior, será uma situação devastadora para o clube e para a cidade de Évora, que tem saudades de grandes jogos de andebol”, lamenta Mário Filipe, presidente do EAC (C/SOM)

“Se voltarmos a parar a equipa sénior, será uma situação devastadora para o clube e para a cidade de Évora, que tem saudades de grandes jogos de andebol”, lamenta Mário Filipe, presidente do EAC (C/SOM) Foto: Évora Andebol Clube (Imagem Ilustrativa)
Regional 01 Jun. 2020

O Évora Andebol Clube (EAC) anunciou, em comunicado, que confirmou à Federação Portuguesa de Andebol (FPA) a presença da equipa sénior no Campeonato Nacional da 2ª Divisão. Recordamos que, a 29 de abril, os seniores do EAC tinham assegurado a subida ao segundo escalão, após a FPA ter deliberado o término das competições, devido à pandemia da COVID-19.

Contudo, apesar desta confirmação, o EAC afirmou, na mesma nota, que pode voltar atrás na decisão, caso não consiga reunir nos próximos meses as condições financeiras necessárias, colocando mesmo em cima da mesa a hipótese de voltar a parar a equipa sénior.

Em entrevista à Rádio Campanário, Mário Filipe, Presidente da Direção do EAC, explica que “depois de recebemos um comunicado da Federação Portuguesa de Andebol que a equipa sénior do EAC estava apta para jogar na 2ª Divisão, recebemos pouco tempo depois uma outra informação da FPA a pedirmos que confirmássemos a nossa presença no Campeonato”.

“Nós estamos agora numa fase em que está a começar o desconfinamento e não sabemos se as escolas vão reabrir em setembro e nós dependemos dos pavilhões das escolas para treinar e jogar”, frisa o dirigente, que admite que o clube antevê dificuldades financeiras, “porque o nosso grande suporte são as mensalidades que os pais dos jogadores dos escalões de formação pagam e alguns apoios de algumas empresas. Mas esta pandemia veio trazer problemas tanto às famílias como às empresas”.

O presidente da direção do clube sabe que a FPA vai facilitar alguns processos como algumas reduções de custos e facilidades de pagamento, mas admite que “nesta altura ainda é muito prematuro, porque não sabemos o que a Federação nos vai dar e o que vai estar disponível, e, portanto, ainda pomos esse ponto de interrogação na nossa presença no Campeonato de Andebol da 2ª Divisão. Houve mais clubes a reclamar desta necessidade de ter de confirmar a presença tão cedo, quando estamos a dois/três meses do início da competição e não sabemos como é que as coisas se vão passar”.

Quanto aos apoios que o clube tem tido, Mário Filipe refere que “temos um contrato de desenvolvimento desportivo com a Câmara Municipal de Évora, que por questões internas da autarquia não inclui uma componente financeira. O município apoia-nos nos pavilhões e nos transportes e vai-nos apoiando «nos mais pequeninos», com algum material que oferecem, entre outras coisas. Perante esta situação de pandemia, já sabemos que a Câmara de Évora nos vai atribuir um apoio financeiro, que nos vai ajudar para o início da época, e para fechar algumas contas que temos pendentes. E temos também um protocolo com a Associação Académica da Universidade de Évora (AAUÉ), que apesar das competições terem sido suspensas, mantiveram o acordo até ao final e estão-nos a suportar também com algum apoio financeiro. E ainda temos o apoio de uma ou outra empresa que mantiveram os seus pagamentos. Não é o mesmo volume financeiro que temos normalmente, mas é o suficiente para manter, pelo menos para já, a atividade do clube”.

O presidente do EAC diz que a possibilidade de parar a equipa sénior está em cima da mesa, caso não estejam reunidas todas as condições necessárias, por várias razões: “em termos geográficos, não tiramos grande vantagem em estarmos na 2ª Divisão em relação ao terceiro escalão, ou seja, grande parte das nossas deslocações vão ser à zona de Setúbal e de Lisboa, Algarve, e depois há um ou dois clubes aqui no Alentejo. Por isso estarmos na segunda ou na terceira divisão, as despesas das deslocações são muito semelhantes. Depois em termos de despesas com inscrições, seguros e arbitragens, faz alguma diferença, mas acreditamos que não é significativa. Portanto o que nos leva a colocar em mesa essa possibilidade é, se não tivermos condições para jogar na segunda divisão, provavelmente não teremos condições para jogarmos na terceira. E aí a solução seria voltar a parar a equipa sénior, que obviamente não queremos fazer isso. Mas também colocamos essa possibilidade para chamarmos a atenção das pessoas da cidade de Évora e arredores da situação que o clube está a atravessar”.

Apesar desta situação de incerteza, Mário Filipe mostra-se otimista e confiante que “vai tudo correr bem e vamos ter as nossas equipas de formação nos campeonatos regionais, e a equipa sénior na 2ª Divisão Nacional”. Porém, “se não forem reunidas todas as condições, vai ser uma situação devastadora para a direção, para os atletas e para a cidade de Évora, que como escrevemos no comunicado, acreditamos que tem saudades de grandes jogos de andebol e queríamos muito que na próxima época pudéssemos dar essa alegria”.

O Évora Andebol Clube já está a preparar a próxima temporada, mesmo com o futuro incerto. O clube já anunciou a saída de quatro atletas da equipa sénior e o presidente da direção diz que estão confirmados “cerca de 19 atletas que se mostraram disponíveis para continuar no clube. São na sua maioria jogadores que começaram nos escalões de formação do EAC e temos alguns alunos da Universidade de Évora, que integram também a equipa universitária. Agora estamos a ver se conseguimos começar a treinar o mais cedo possível, nem que seja apenas a parte física, e depois quando já tivermos acesso aos pavilhões, iremos começar a treinar a parte técnica”, confirmando ainda que a equipa técnica será a mesma da época passada. Quanto aos escalões de formação “estamos a preparar um documento que vamos enviar aos pais e aos atletas, para saber que está disponível para continuar no clube e quem é pode estar com algum tipo de dificuldades, para depois sabermos quantos escalões vamos ter na próxima temporada”.

Aos microfones da nossa emissora, Mário Filipe faz um apelo: “o EAC gostaria de contar com o apoio de todos. E quando falo de apoio, é mais do que o financeiro. É apoiarem-nos no Pavilhão e as nossas iniciativas. Uma palmada nas costas às vezes é o suficiente para esta luta que vamos ter pela frente, e esperamos contar com muito apoio ao Évora Andebol Clube na próxima época”.

 

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