Vila Viçosa: Reitor do Santuário de NS da Conceição acusa Direção Regional de Cultura de “não ter disponibilizado técnicos” para conclusão da requalificação do Santuário (c/som)

Regional 21 Nov. 2014

A crise económica e financeira que tem afetado Portugal fez com que o plano geral de intervenção no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, ficasse por terminar.

Um plano que tinha sido elaborado de forma a manter conservado o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, considerado Monumento Nacional, que iria resultar em obras financiadas na sua totalidade pela SIVA - Sociedade de Importação de Veículos Automóveis, S.A, de João Pereira Coutinho, ao abrigo do mecenato cultural.

Em 2004 foi assinado um protocolo entre Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e com a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, a fim de se avançar com as obras, tendo a primeira fase sido concluída, em que foi requalificada a cobertura e a estrutura do monumento.

Entretanto, a 3 de Julho de 2009, é celebrado outro protocolo de colaboração entre a Direção Regional de Cultura do Alentejo, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a SIVA, uma cerimónia que contou com a presença da então Secretária de Estado da Cultura, Maria Paula Santos, do Arcebispo de Évora, D. José Alves, do Diretor Regional de Cultura do Alentejo, José Nascimento, do Presidente do Conselho de Administração da SIVA, João Pereira Coutinho, e do Reitor do Santuário Padre Mário Tavares de Oliveira, um protocolo que visava obras de conservação, intervenção de espaço exterior, conservação de cantarias, instalações elétricas, renovação de caixilharias, conservação e restauro de retábulos, azulejaria e pintura mural, protocolo este que não chegou a sair do papel.

Afim de saber o porquê desta obra nunca ter avançado passados estes anos a Rádio Campanário contactou a SIVA, que apenas nos remeteu um breve comunicado dando conta que “a SIVA despendeu para a execução da primeira fase do plano, que foi concretizada e incluía as obras a efetuar na cobertura e na estrutura do edifício, cerca de 150.000,00 Euros.

Com a extinção da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, este plano não teve continuidade, apesar dos contactos havidos em 2007 e 2008, quer junto da Direcção Regional da Cultura do Alentejo, quer junto do próprio Ministério da Cultura ao tempo, que não tiveram qualquer êxito, devido às restrições financeiras que então já se faziam sentir.

A partir de 2009, com o começo da crise também no sector automóvel, a SIVA viu reduzirem-se drasticamente os seus proveitos e entendeu dever suspender todas as suas acções de mecenato.”

Por sua vez a atual Diretora Regional de Cultura, Ana Paula Amendoeira, apesar de não querer gravar qualquer tipo de declaração sobre este assunto disse-nos que “houve de facto um protocolo que na realidade nunca foi ativado, porque se constituiu só uma equipa de trabalho”. Informando ainda que ficou protocolado a “SIVA dar ao Estado, através da Direção Regional de Cultura o montante de 510 mil euros para financiamento de todos os trabalhos, entre 2009 e 2011”. Relativamente às responsabilidades da Direção Regional de Cultura neste processo Ana Paula Amendoeira afirmou que “ estava apenas responsabilizada para emitir os pareceres sobre o interesse cultural do projeto para efeitos de reconhecimento de benefícios fiscais, mas era preciso que houvesse dinheiro”. “Nós é que coordenávamos os trabalhos de intervenção e a SIVA financiávamos e a Paróquia facilitava a sua execução”, acrescentou a Diretora Regional.

Contactado o atual Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, Padre Francisco Couto, que nos deu conta do ponto da situação relativamente a este protocolo, afirmando que “trata-se de um protocolo que nunca chegou a ser posto em prática por várias vicissitudes, nomeadamente a impossibilidade de encontrar uma resposta que pudesse gerir esse mecenato”, acusando a Direção Regional de Cultura de na altura “não ter disponibilizado técnicos”. No entanto apesar das obras não terem sido realizadas Francisco Couto nega que o Santuário esteja em estado de degradação colocando mesmo a hipótese de procurar outro mecenas ou até mesmo voltar a encetar conversações com João Pereira Coutinho.

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