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Quinta-feira, Julho 18, 2024

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De Redondo para Lisboa: Do “Galito” da Serra d’Ossa aos Jaquinzinhos e Gaspacho na capital.

“Sai mais um gaspacho com jaquinzinhos.” Esta frase é repetida inúmeras vezes durante o verão por Henrique Galito no seu restaurante, um ponto de referência para os apreciadores da boa gastronomia em Lisboa. Especializado em pratos alentejanos, o restaurante serve mais de 50 sopas frias de tomate acompanhadas por peixe frito durante os almoços, um prato favorito dos clientes.

A história do restaurante Galito remonta a Évora. O negócio teve origem na Serra d’Ossa, no Redondo, quando o avô de Henrique abriu uma pequena tasca onde os habitantes locais se reuniam para “beber vinho em copos muito pequenos” e desfrutar de alguns petiscos. A taberna rapidamente ganhou fama na região, tornando-se um ponto de paragem obrigatório. Em 1966, a geração seguinte transformou a tasca num restaurante.

Henrique passou a infância a ajudar no restaurante familiar, lavando copos, servindo às mesas e aprendendo as receitas típicas alentejanas que a mãe e a avó preparavam repetidamente. Aos 20 anos, mudou-se para Lisboa para estudar no Instituto Comercial. Após concluir os estudos em 1972, foi mobilizado para combater na Guerra do Ultramar, na Guiné. Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974 e começou a trabalhar no Banco Espírito Santo.

Durante 17 anos, Henrique dividiu-se entre o trabalho na banca durante a semana e o apoio ao restaurante dos pais ao fim de semana. Aos 40 anos, decidiu criar o seu próprio negócio, abrindo o restaurante Barrote Atissado na Pontinha, onde cozinhava as receitas da mãe. Após quatro anos, vendeu o negócio e abriu o primeiro Galito na Margem Sul, onde permaneceu por sete anos. Em seguida, abriu um novo espaço em Lisboa, que rapidamente se revelou pequeno demais para a procura. Encontrou finalmente o espaço ideal na Quinta da Luz, em Carnide, onde o Galito está há 14 anos.

O Galito já teve várias moradas em Lisboa, mas sempre manteve a oferta dos melhores pratos do Alentejo. Atualmente com 74 anos, Henrique delegou a cozinha ao filho mais novo, Leonardo Galito, e a arte de servir ao filho mais velho, Daniel. Contudo, continua a envolver-se no restaurante de que tanto se orgulha.

“Aqui só entram produtos alentejanos. Em Lisboa, não encontro a qualidade que preciso”, afirma. Por isso, mantém os fornecedores há muitos anos, garantindo que pratos como a açorda ou a sopa de cação sejam sempre preparados com os melhores ingredientes.

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