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Terça-feira, Junho 18, 2024

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“O lar é a minha segunda casa e segunda família, mas a saudade dos nossos existe sempre” diz António Garção da Silva(c/som)

 

Tem 85 anos de idade e uma história de vida nem sempre tão feliz quanto desejaria.

António Garção da Silva é um dos 62 utentes do Lar de idosos da Santa casa da Misericórdia de Vila Viçosa.

A Rádio Campanário foi conhecer a história de vida deste homem e saber como foi viver este período da pandemia.

Natural de Reguengos de Monsaraz, morou em Portalegre, em Reguengos de Monsaraz, em Évora, mas foi em Vila Viçosa que decidiu ficar, constituir família e fazer o seu percurso de vida. 

Cedo começou a trabalhar para ajudar a mãe depois de ter pedido o Pai, vítima de suicídio.

Trabalhou em diferentes áreas como nos contou “no campo, fui estucador, mas acabei por fazer carreira na área da Construção Civil” acrescentando com orgulho “fazia empreitadas, tinha a minha própria empresa.”

Fica de olhos a brilhar quando nos conta, orgulhoso, “as grandes obras que realizou”.

Trabalhou desde sempre e sem contar, um problema de saúde que levou à amputação das duas pernas, impossibilitaram-no de continuar a fazê-lo o que o leva a dizer-nos “se eu tivesse as pernas ainda hoje trabalhava, na minha empresa e numa horta que as minhas netas têm.”

Quando fala da família fica de voz embargada. Conta-nos que tem duas netas, uma irmã que descreve de imediato e de forma emocionada como a “minha melhor amiga” e sobrinhos.

Ficar sem as duas pernas não foi o único revés que a vida lhe deu. Com voz trémula conta-nos “o meu filho morreu há pouco tempo. Não tenho mais ninguém.”

A irmã, quando António perdeu a mobilidade, e porque reside na região de Portalegre quis levá-lo para lá mas António Garção da Silva conta-nos de forma decidida “ não quis ir,  preferi ficar neste  lar em Vila Viçosa é que aqui conheço o pessoal, conheço a família toda.”

Perguntámos-lhe como é viver neste Lar e de sorriso no rosto responde “ dou-me bem com toda a gente, gosto de estar aqui  pois se não gostasse,  já tinha mudado.”

No que diz respeito à forma como viveu esta pandemia de covid 19, perguntámos-lhe como lidou com a saudade neste tempo tendo respondido “as saudades matam-se pelo telefone mas saudades da família temos sempre.”

Decidido diz “mas temos que nos conformar com a vida que temos, com aquilo que deus me deu.”

Recorda a sua infância com emoção. Quanto ao presente, e relativamente aos momentos que vive na instituição diz sem hesitação “Esta é a minha segunda casa e todos os que trabalham aqui são a minha segunda família.”

António Garção da Silva conta-nos “já estive em vários locais , em várias Instituições como Montemor-o-Novo, Elvas, ou na Cruz Vermelha”, mas assume “é aqui que quero estar, sair daqui só quando chegar a minha hora.”

Os dias na Instituição são felizes pois os funcionários “puxam muito por nós e fazemos muitas coisas” dizendo “é mais fácil passar os dias assim e não é por não ter as duas pernas que deixa de fazer o que quer que seja.”

“Parar é morrer e morrer é o fim!” acrescenta António Garção da Silva.

Apesar das dificuldades não perde a esperança em dias melhores nem a memória que o transporta para outros anos onde até conheceu a rainha de Inglaterra, na base aérea do Montijo. Recordações que alimentam a vida deste homem que em momento algum deixa de sorrir.

António Garção da Silva, uma história de vida recheada de memórias de um passado com a lucidez do presente e com esperança no futuro.

Oiça aqui a entrevista:

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