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NACIONAL

"É mais seguro ir à Festa do Avante! do que a um supermercado", afirma o deputado do PCP João Oliveira (C/SOM)

"É mais seguro ir à Festa do Avante! do que a um supermercado", afirma o deputado do PCP João Oliveira (C/SOM) Foto da direita: Correio da Manhã
Entrevistas 02 Set. 2020

No seu comentário semanal desta quarta-feira à Rádio Campanário, o Deputado à Assembleia da República e Líder Parlamentar do PCP, João Oliveira, falou sobre a polémica em torno da realização da Festa do Avante!

Na opinião do deputado “acho que não há uma forte contestação pública, mas sim uma grande campanha de guerrilha política e partidária feita contra a Festa do Avante! que só tem verdadeiramente um fundamento político e partidário. Admito que nesta altura é preciso coragem para organizar uma Feira do Livro, é preciso coragem para organizar um Festival de Verão. Acho que não há contestação da opinião pública, há uma grande operação de guerrilha político-partidária montada contra a Festa do Avante!. A forma como o PSD, o CDS e outros se têm desdobrado para atacar a Festa do Avante! já toda a gente percebeu que é uma grande operação de guerrilha político-partidária”.

Sobre os comerciantes que também contestaram a realização do evento, o comunista atira que “um daqueles comerciantes que disse que vai fechar portas é um Dirigente Nacional do PS”.

“A Festa do Avante! vai ser provavelmente o sítio mais seguro para estar no próximo fim de semana, porque todas as medidas que já estavam preparadas desde que a festa foi projetada para este ano, toda a organização do espaço que já estava a ser prevista e que acabou por ser essa conceção que vamos ter, mais o que se foi acrescentando para que se pudesse corresponder à discussão com a DGS, dir-lhe-ia que é mais seguro estar na Festa do Avante! do que em qualquer praia do país”, garante.

Questionado se o comportamento de quem vai à praia ou de quem vai à feira do livro é o mesmo de quem assiste um concerto, o comunista sublinha que “admito que quem nunca foi à Festa do Avante! possa colocar essa dúvida, e é legítima. A melhor resposta é a experiência que temos. A Festa do Avante!, este ano, não vai ter nada que ver com festas que aconteceram anteriormente, mas o que aconteceu noutros sítios e a comparação que se faz com a Festa do Avante! também acho que é significativa. Tal como nós não temos problemas de segurança na Festa do Avante! quando se juntam milhares de pessoas, desta vez que não vai estar tanta gente junta, tenho a certeza absoluta que o comportamento das pessoas também vai ser diferente. Há uma coisa que toda a gente que vai à festa na sexta-feira [primeiro dia de festa] e que espantava toda a gente era como é que se consegue fazer num espaço como a Festa do Avante! um concerto de ópera ou um concerto de música sinfónica, porque a atitude das pessoas é diferente. Tenho a certeza que tal como o comportamento das pessoas no ano passado era diferente, vai continuar a ser diferente. Tenho a certeza que o comportamento vai continuar a ser aquilo que sempre foi, que é um comportamento responsável. Tenho a certeza absoluta que a Festa do Avante! vai ser dos sítios mais seguros do país para se poder estar no próximo fim de semana”.

Sobre as normas da DGS emanadas para a realização do evento e se financeiramente o PCP irá retirar alguns lucros da festa e como o PCP ficará politicamente e socialmente país se da festa derivar um surto, o Líder Parlamentar refere que “houve uma estação televisiva que foi buscar aos relatórios de contas do PCP alguns dados sobre a Festa do Avante!, mas esqueceram-se de ir buscar os dados do balanço financeiro. As festas nos últimos anos deram prejuízo porque os investimentos que tiveram de ser feitos nas infraestruturas ultrapassaram aquilo que foram as receitas da Festa do Avante! A ideia de que o PCP faz a festa para obter receitas é uma falácia. As receitas que se têm não é o resultado final. É lamentável que toda esta discussão sobre a Festa do Avante! tenha sido feita com mentiras como essa. É óbvio que a Festa do Avante! este ano está montada com uma dimensão completamente diferente dos outros anos e é óbvio que tivemos de reduzir muito os custos, porque já há uns meses que prevíamos que a Festa este ano não pudesse ser feita da mesma maneira e, portanto, tínhamos que reduzir custos para garantir que a Festa se podia fazer sem essas preocupações. Era mais que óbvio que não podemos depender das receitas que vamos ter. Em relação à questão das regras que nos foram definidas, isto não é uma questão de opinião, é um facto, o concerto do Bruno Nogueira no Campo Pequeno, uma sala fechada com 1250 metros foi autorizado paras 2 mil pessoas. O palco 25 de abril da Festa do Avante! que é ao ar livre, em vez dos 1250 metros do Campo Pequeno, tem 16 mil metros quadrados e tem a mesma lotação de 2 mil. O palco 1º de Maio tem 5 mil metros quadrados, tem quatro vezes mais que o Campo Pequeno e é num espaço aberto, tem lotação para 620 lugares, ou seja, menos de metade que aquilo que teve o concerto do Campo Pequeno. Em relação às feiras do livro, são ao ar livre, as regras são muito menos exigentes que as que foram definidas para a Festa do Avante! e por isso é que digo que vai ser dos sítios mais seguros do país para garantir que as coisas podem funcionar perfeitamente. As condições de funcionamento da Festa do Avante são ainda mais seguras do que qualquer outro evento. Em relação aos surtos, o que me preocupa verdadeiramente é que as pessoas não se preocupem com as condições que a maioria dos portugueses está neste momento a viver. Isso é uma hipótese que nem coloco, porque há mais risco numa ida ao supermercado do que numa ida à Festa do Avante!”