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Domingo, Julho 14, 2024

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Vestígios de uma Vila Romana às portas de S. Romão (Ciladas)!

O concelho de Vila Viçosa é caracterizado por uma grande diversidade patrimonial. Variados testemunhos de diferentes períodos demonstram que a ocupação humana neste território foi uma realidade, desde tempos imemoriais.

Para além do centro histórico da sede de concelho, onde o legado renascentista de influência italiana assume uma maior proporção, quer a nível dos edifícios, quer a nível do urbanismo, constata-se a existência de outros legados que comprovam as ocupações humanas, desde o Neolítico, passando pelo Império Romano, até à Idade Média. 

Percorrer as zonas mais recônditas e esquecidas da comarca calipolense tem revelado a existência de pontos de interesse que poderão vir a ter no futuro alguma relevância do ponto de vista turístico. E esse é o caso da freguesia de Ciladas/São Romão, carregada de uma história ancestral que tem vindo, paulatinamente, a ser trazida à luz.

A investigação efetuada em 2017 sobre as Herdades de Torre do Cabedal e Pomar D’El Rei, situadas na zona de transição entre os concelhos de Vila Viçosa e de Elvas, precisamente na referida freguesia, contempla uma pesquisa sobre vestígios arqueológicos de uma antiga “villa” romana, junto da qual se encontrava um complexo termal e uma necrópole. Aqui podemos encontrar vestígios de um passado distante, mas revelador da importância socioeconómica de todo este território.

Este estudo deu a conhecer uma realidade quase desconhecida e pretende dar um novo enfoque sobre a necessidade de se avançar para uma nova prospeção arqueológica que permita uma leitura mais rigorosa sobre a “villa” romana, o balneário e a necrópole. 

Todo este território está ocupado desde esse período, com especial incidência para a Idade Média (período em que as propriedades pertenciam à Coroa) e com destaque para o século XVI.

Do Renascimento data a Domus Fortis da Torre do Cabedal, que se encontra em avançado estado de degradação, mas que constitui um exemplo arquitetónico relevante em termos patrimoniais.

A presença de referências e de achados do período romano, a importância agrícola do território durante a Idade Média, a posse da Coroa e as construções do período renascentista confirmam a ocupação humana deste contexto desde períodos remotos e fundamentam a sua excecionalidade e singularidade no âmbito da história do concelho.

O que podemos concluir é que desde o período romano que as terras foram utilizadas a nível agrícola e termal, tendo em conta os recursos hídricos existentes neste território em particular e os achados arqueológicos, que comprovam a presença de infraestruturas termais associadas à “villa”. Algumas das peças aqui encontradas nas escavações arqueológicas dos anos 20 do século XX foram encaminhadas para o Museu de Elvas, nomeadamente um conjunto de mosaicos romanos, que farão parte do espólio do futuro museu de Arqueologia e Etnografia.

Na medida em que este património arqueológico e edificado se encontra em risco e num avançado estado de degradação, a investigação que foi desenvolvida poderá contribuir para um conhecimento mais aprofundado de uma realidade desconhecida da história desta região. A definição da Carta Arqueológica de Vila Viçosa poderá constituir uma ferramenta de trabalho fundamental para definir uma estratégia em termos de investigação e prospeção em todo este território. Seria importante avançar com pesquisas mais detalhadas sobre aquilo que poderá ainda existir na Herdade da Torre do Cabedal em termos arqueológicos, assim como uma análise das consequentes construções do período manuelino.

Fonte: Junta de Freguesia de Ciladas

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