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Quarta-feira, Julho 24, 2024

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“As minhas obras representam a beleza sensual e erótica da natureza, que é uma grande fonte de inspiração” diz Susana Piteira (c/som)

Decorreu esta tarde, no Centro de Estudos de Cultura, História, Arte e Patrimónios (CECHAP), em Vila Viçosa, a inauguração da Exposição Coletiva de esculturas “MarMor”, uma exposição de esculturas em mármore, que vai estar patente na Galeria Aqui d’El Arte, da CECHAP, até dia 30 de setembro.

A Rádio Campanário esteve presente e falou com Susana Piteira, uma das artistas que tem as suas obras expostas nesta exposição.

Questionada sobre o sentimento de realizar uma exposição no Alentejo, uma vez que a mesma tem uma forte ligação à região, a artista referiu que “é um sentimento, por um lado, de grande carinho pelo sítio, pela região, porque é isso que eu sinto, tenho um grande carinho e afeto por toda esta região, em parte por causa dos mármores. Também no CECHAP, pelo trabalho que têm desenvolvido em torno do estudo, e espero que possa dar resultados, num futuro próximo, bem diferentes e que possa ativar bastante este território em termos de atividades a vários níveis culturais e patrimoniais e, portanto, é também com um certo espírito de missão, que acedi ao convite de expor aqui no CECHAP, para ajudar a alavancar seja o que for, mas trabalhar no âmbito da cultura, e da arte, em particular, e ainda mais através da escultura, num território que tinha tudo para ser um centro mundial de referência da arte em Portugal”.

Questionada sobre o significado das suas obras expostas e qual a que é da sua preferência, Susana Piteira referiu que “essa é uma questão difícil. É claro que há sempre obras que resultam melhor, como em qualquer trabalho, mas são obras muito trabalhosas, de uma forma geral, a minha obra partiu de formas orgânicas e vegetais, não com a intenção de as representar, o meu trabalho não tem qualquer intenção naturalista nem realista, mas servi-me dessas formas para criar. No fundo é isso que Homem fez sempre, e hoje mesmo, quando se posiciona de uma forma totalmente abstrata contra a natureza não deixa de não estar a posicionar-se relativamente a ela, mas eu prefiro retirar aquilo que acho lindíssimo, que é uma certa sensualidade, uma certa beleza que as plantas têm, a delicadeza, que associei à pedra e, em particular, ao mármore, que me dá essa dimensão delicada e, ao mesmo tempo, pétrea, que é diferente de outros trabalhos que eu tenho em cerâmica ou em têxtil, são muito específicos, é um trabalho relativamente sensual e erótico, também para falar da beleza nas artes e na beleza que é a nossa vida e que às vezes tanto desprezamos e a beleza da própria natureza que é uma fonte inesgotável de referência para os artistas”

Questionada sobre perspetivas para trabalhos e exposições futuras, a escultora referiu que “são várias, gostava de ter mais tempo para trabalhar, também dou aulas, faço investigação, faço muitas coisas, mas sim. Em pedra, neste momento, ainda não posso divulgar, mas vou ter uma exposição em cerâmica em Tomar, no dia 4 de novembro, com mais duas amigas e artistas, a Graça Pereira Coutinho e a Beatriz Correia, com quem fiz uma residência artística na China em 2019, mas essa exposição já não vai mostrar uma parte das peças que estiveram expostas no Museu do Oriente, em Lisboa, que nos apoiou para a residência, mas também vamos mostrar novas coisas, que ensaiámos na residência, que não tinham estado em condições de ser expostas”.

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