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Domingo, Junho 16, 2024

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Vila Viçosa: Presidente do Calipolense exonerado, acusa a antiga direção de corrupção (c/som)

Como a Rádio Campanário oportunamente noticiou, a Direção do Calipolense, Clube Desportivo de Vila Viçosa, foi exonerada na passada quinta-feira, dia 11 de agosto, durante a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária, tendo sido constituída uma Comissão Administrativa composta por nove sócios.

Recorde-se que a Direção do Calipolense, Clube Desportivo de Vila Viçosa era constituída por Nelson Fradique, Miguel Rosinha, João Talhinhas, Paulo Pereira, Ana Rita Barradas, Augusta Ferreira e Cídia Toscano.

Em entrevista à Rádio Campanário, o presidente do Calipolense, Nelson Fradique, começa por declarar que “na realidade a direção não foi exonerada porque vem no seguimento de uma Assembleia Geral que não cumpre o que está estipulado nos estatutos que estão em vigor no clube, nomeadamente, ser marcada pela Assembleia Geral, pela Direção, pelo Conselho Fiscal ou por 30 sócios”.

Nelson Fradique diz que as eleições foram no dia 6 de maio, onde houve uma lista que encabeçava “e a mesma foi de acordo com os estatutos e os sócios tinham amplo conhecimento do projeto a realizar neste mandato, era um projeto para dois anos e não para dois meses, bem como a situação financeira do clube antes das eleições”.

Salienta que no dia 11 de maio a nova Direção tomou posse, “começamos a desenvolver atividades e a normal gestão do clube e no dia 12 de julho, tivemos conhecimento pelo presidente da Assembleia Geral (Francisco Chagas), que três elementos da Direção se demitiram, havendo já um elemento que havia pedido a demissão por questões pessoais, a Cídia Toscano, e destes três diretores, João Talhinhas, Ana Rita Barradas e Augusta Ferreira, desconhecemos quais os motivos que levaram à sua demissão”.

A Direção foi contactada, segundo Nelson Rebola, para “tentarmos solucionar a situação, em virtude de um dos elementos não poder estar presente, a mesma foi proposta alterar-se, ficando o presidente da Assembleia Geral contactar a Direção para nos reunirmos”.

Diz que teve conhecimento de uma reunião da Assembleia Geral, “a mesa reuniu com apenas dois membros, em que foram contactados e convocados os suplentes da Assembleia Geral para tomarem posse, os mesmos, segundo o presidente da Assembleia Geral não compareceram e não tomaram posse, o que criou uma situação de impasse e de indecisão na direção (…) foi agendada uma Assembleia Geral para o dia 5 de agosto, tendo a Direção tido conhecimento da mesma em dois de agosto. Alertei o senhor presidente da Assembleia Geral porque não cumpria o prazo previsto nos estatutos, que são quatro dias, cuja marcação tinha sido solicitada por 30 sócios. Foi alterada para o dia 8 de agosto onde eu estive presente nessa dita Assembleia Geral dos 30 sócios. Ao ouvir a chamada dos sócios da lista que compunha os mesmos, verifiquei que havia nomes que não tinham as quotas em dia. Para além disso, desses sócios que pediram a Assembleia Geral Extraordinária, tinham que estar, a maioria dos peticionários, de acordo com os estatutos, e só estavam 15 elementos presentes”. Segundo refere, “a Assembleia foi dada como encerrada, mas mesmo estando a maioria, havia sócios que estavam nessa lista que não cumpriam os requisitos solicitados pelos estatutos”.

Nelson Fradique conta que no dia 11 de agosto tomou conhecimento que se realizou uma Assembleia Geral contrária aos estatutos em vigor no clube, pelo que quaisquer decisões que ali tenham sido tomadas, para nós, são perfeitamente nulas e inválidas”.

Instado sobre não ter estado presente na Assembleia Geral realizada no dia 11 de agosto, refere que “não fomos devidamente notificados e para além disso tinha que haver uma convocatória, que houve (…) mas a forma de convocar e a convocatória não é legal”, salientando que os estatutos dizem “que os sócios deveriam ser notificados um a um, e no caso desta Assembleia em particular, os custos deveriam ser suportados pelos que pedem a Assembleia Geral Extraordinária, nomeadamente aqueles 30 sócios, isso é que seria o correto, mas não foi. Esta situação apesar de ser contrária ao nosso desejo de termos continuado no clube, não se permitiu que fizéssemos caminho, estranhamente o balanço está a ser feito a dois meses de Direção, quando o projeto é para dois anos”.

Nelson Fradique questiona-se, “onde estiveram os sócios noutras Direções, onde foram cometidas tantas atrocidades, ilegalidades, tomadas decisões com claro prejuízo para o clube e na minha opinião, há uma clara guerrilha politica, um jogo de interesses pessoais em marcha, esta situação foi sobretudo originada pela irresponsabilidade e pela falta de sentido de serviço pelos diretores que se demitiram e também causa alguma estranheza, contrariamente aos estatutos, que os sócios eleitos como suplentes, que supostamente não assumiram funções como efetivos, tenham assinado uma petição para alegadamente exonerarem a Direção. Há qui muita coisa que levante muita dúvida e os sócios deveriam estar atentos e deveriam questionar e não ouvir uma só das partes, porque causa muita estranheza que as pessoas que ficaram fora desta Direção, não tenham constituído uma lista e apresentado um projeto aos sócios na altura das eleições e agora tenham orquestrado esta situação e proporcionado este impasse”.

Sobre as acusações que profere, o presidente exonerado diz que “são situações de que o presidente da Assembleia Geral tinha conhecimento, situações de alguns sócios que, enquanto diretores lesaram o clube”, afirmando que teve a informação que houve uma viatura que foi vendida “e o clube não sabe se deu lucro ou prejuízo, situações que, quando eu entrei como tesoureiro, não se sabia quanto se devia e o passivo era grande, de 18 mil euros, para além do PEC que foi uma herança que se herdou. Esta Direção não se desculpa com o passado, mas há um passado e chegamos aqui e há coisas que não estão devidamente clarificadas e os sócios, se têm tantas questões para colocar agora, porque é que não as colocaram nestas situações ou quando lhe era dada essa informação, mas a verdade é que ela existe e alguns têm que esclarecer e não vou ser eu, porque muitas vezes em Direção, questionei sobre estas situações e as perguntas ficaram sem resposta”.

Instado sobre o pedido de demissão de elementos da Direção e que ocasionaram a falta de quórum, refere que perante ele não foi justificada a saída, embora fosse um grupo de trabalho, dizendo que havia reuniões, “as funções estavam devidamente definidas e inclusive o senhor João Talhinhas tinha a seu cargo a parte de diretor desportivo da equipa sénior onde depois havia três elementos que já vinham da anterior direção que faziam de seccionistas e o João Talhinhas era a ligação entre três elementos que estavam mais ligados à equipa sénior e depois fariam a ponte com a Direção e é isso que me causa estranheza (…) isto é uma democracia, as listas são feitas, quando não se concorda com uma ideia, apresentam-se novas ideias, não havendo novas ideias, tem que se partir do prossuposto que se aceitam aquelas que estão em vigor”.

Nelson Fradique confirma que a Direção reunia assiduamente e eram falados os problemas do clube e delineadas estratégicas e que nada se fazia sem que fosse do conhecimento de todos, “inclusive antes das reuniões, e isso já era uma prática da anterior Direção, e onde eu estava presente, era enviado semanalmente balancetes com contas a receber, contas a pagar, que eram entregues aos diretores para se prepararem no dia da reunião, pagamentos, situações desportivas, situação financeira, a relação com as instituições, com a câmara, com a associação (AFE), isso era do conhecimento de todos e continua-se a fazer dessa mesma forma”.

Perguntado se alguma vez tomou alguma decisão sem que a tenha comunicado aos outros elementos da Direção, diz que nunca o fez, “podia haver decisões que eram contrárias, as pessoas podiam não concordar, mas não apresentando ideias, partia-se do princípio que era minha ideia que iria avançar (…) quando temos uma ideia diferente da nossa, apresentamos soluções, quando não apresentam soluções e avança uma ideia, que às vezes partia de mim, não é depois das coisas acontecerem que vamos dizer que tinha feito de outra forma, é antes das coisas acontecerem que se apresentam as ideias”.

Relativamente à Comissão Administrativa, Nelson Fradique diz que “é uma comissão que não é oficial, até que haja um documento, e essa comissão, na minha opinião, e segundo os estatutos não é válida (…) é pejada de nulidades”.

Nelson Fradique assegura que vai continuar “a resolver as situações (…) há muitas coisas que estão a ser resolvidas e os estatutos permitem que o presidente faça isso, inclusive com o vice-presidente financeiro, o Miguel Rosinha, podemos assinar as contas. Tivemos o cuidado de garantir que as contas fossem pagas, nomeadamente à EDP, a água, os impostos das viaturas, inclusive já pagamos a inscrição da taxa da associação na filiação da Associação de Futebol de Évora para a época 2016/2017 para que as coisas continuem, as coisas estão orientadas, não ficou nada no vazio”.

Lamenta a situação criada, porque nunca viu uma situação destas “em lado nenhum, mas os sócios têm que saber que houve uma guerrilha e eu fui ameaçado”, que caso não ficassem determinados elementos na Direção do clube, “iria ter problemas e isto não faz sentido e o Calipolense para andar para a frente tem, que haver ideias diferentes (…) se não houver um mecenas que dê verbas ao clube, como é que vão conseguir gerir e pagar, porque o clube hoje, não é só os séniores, são mais 200 atletas, tem uma dinâmica muito forte”.

Sobre as pressões de que diz ter sido alvo, Nelson Fradique diz que não quer referir nomes, mas expressa que “houve muita gente e alguns dos que vão fazer parte desta dita Comissão Administrativa, que me abordaram e disseram para falar com determinada pessoa porque essa pessoa tem que ficar e inclusive eu na altura disse que essa pessoa não ficou”, e tendo na altura referido os motivos.

Acrescenta que houve quem, em direções anteriores não tenha ajudado o clube, mas o tenha prejudicado, “e aquilo que criticavam em relação aos outros, agora estão a fazer trinta vezes pior”.

Instado para de forma clara especificar as acusações proferidas, diz que “o presidente da Assembleia Geral tem conhecimento das situações, houve pessoas que usaram o dinheiro do clube indevidamente, houve pessoas que quiseram que quiseram assumir algumas responsabilidades do clube e não o fizeram de forma clara, houve situações em que é feito o inventário do bar e há uma diferença de valores, isso foi apresentado, toda a gente sabia disso. Há situações de verbas que eram recebidas por alguns diretores, não as depositaram na devida altura, as pessoas sabem, não são acusações, são factos, e quando alguém é confrontado com um facto, tem que dizer não”.

Questionado sobre se pretende voltar a apresentar uma lista nas próximas eleições, diz que neste momento é algo que “não está nos meus horizontes, mas à data de hoje não tenho isso nos meus planos”, assumindo que deixa o Calipolense melhor do que o encontrou “ e ninguém me pode tirar isso”.

Apesar de, tanto Nelson Fradique, como João Frade não terem avançado o nome dos nove sócios que compõem a Comissão Administrativa, a Rádio Campanário apurou que a comissão poderá ser composta por Francisco Chagas, Vítor Lopes, Miguel Rosinha, João Frade, Humberto Ferreira, Rafael Canhoto, Pedro Pinto, João Patacão e João Talhinhas.

Relativamente aos Corpos Sociais que tomaram posse no dia 11 de maio de 2016 para um mandato de dois anos, eram compostos por Nelson Fradique, presidente da Direção, Luís Rosinha e João Talhinhas, vice-presidentes, Cidia Hortinha, tesoureira, Augusta Ferreira, secretária, e os vogais Ana Rita Barradas e Paulo Pereira. A Assembleia Geral tinha como presidente Francisco Chagas, vice-presidente Francisco Manteigas, 1º secretário Artur Barreiros e 2º secretário Marco Calado. O Conselho Fiscal era formado por Jorge Toscano na presidência, Joaquim Espiga como vice-presidente e Diogo Lopes como secretário.

Já a Direção anterior era composta por Artur Carapinha, João Patacão, Rafael Canhoto, Nelson Fradique, João Talhinhas, Carlos Perdigão, Pedro Pinto, Carlos Ventura e Ferreira.        

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