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Sexta-feira, Junho 14, 2024

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O Tapete de Arraiolos “deixou de ser um meio de sobrevivência, e hoje muito menos, os jovens atualmente não estão interessados porque não dá futuro”, diz artesã Odete Nobre (c/som e fotos)

“O Tapete está na Rua” até 10 de junho em Arraiolos. Ao longo de seis dias, o Centro Histórico de Arraiolos conta com as suas ruas cheias de cor e de tradição com propostas que integram espetáculos, exposições, mercado medieval e um conjunto de atividades culturais e de animação, e claro o Tapete de Arraiolos.

Na Praça do Município poderá visualizar-se o maior tapete de Arraiolos feito em Arraiolos e ainda a reafirmação de que é urgente que o fabrico de Tapetes de Arraiolos figure na Lista do Património com necessidade de salvaguarda.  

Com esse efeito foi entregue no dia 5 de junho, pelo presidente da Turismo do Alentejo e Ribatejo, António Ceia da Silva, o dossier do pedido de inscrição do Fabrico de Tapetes de Arraiolos na Lista do Património Cultural e Imaterial com necessidade de salvaguarda urgente.

Refira-se que só após o processo de candidatura concluído, é que o Estado Português o poderá submeter à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) que deverá, posteriormente, avaliar a potencial inscrição desta manifestação na Lista Mundial do Património Cultural Imaterial.

A Rádio Campanário esteve em Arraiolos e verificou que esta arte continua a merecer, cada vez mais, a atenção dos turistas.

À conversa com Odete Nobre, artesã de Arraiolos e que se encontra no Centro interpretativo do Tapete de Arraiolos a mostrar uma arte que executa desde os seus sete anos, ficámos a conhecer todas as fases de como antigamente se confecionava o tapete.

Odete Nobre refere que no Centro Interpretativo mostra como se fazia o Tapete de Arraiolos, “desde a tosquia, a cremação da lã, a cardação, a fiação e o tingimento que antigamente era feito com plantas”.

Quando questionada sobre o futuro desta arte secular, refere que “os jovens não aderem” e não existem escolas onde se possa aprender, “terá que passar pelo ceio da família, eu nasci no meio deles (tapetes), cresci no meio deles e comecei a dedicar-me ao tapete aos 15 anos e depois mais tarde tive que parar porque deixou de ser um meio de sobrevivência, não se consegue sobreviver assim e hoje muito menos, e os jovens atualmente não estão interessados porque não dá futuro”.

A artesã diz ainda, “agora existe uma luzinha ao fundo do túnel e esperamos que possamos adquirir algo positivo para atrair os mais jovens ao desenvolvimento do tapete para ver se isto não morre”.

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